Declaração sobre a Ruptura da Barragem de Brumadinho

Jornal editado por um grupo de militantes políticos e sindicais no Brasil

Não foi um acidente e sim um crime cometido em nome do lucro

A ruptura da Barragem da Vale em Brumadinho, com dezenas de vítimas fatais já confirmadas e centenas de desaparecidos, é hoje a segunda tragédia humana e ambiental causada pela privatização da empresa. Este fato, coloca na agenda, de maneira urgente, a necessidade de reestatização da Vale como medida de defesa nacional. O que aconteceu não foi um acidente, mas um crime cometido em nome do lucro.

Nós, saudamos a declaração da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, quando diz:

"A privatização de empresas em setores de grande impacto ambiental ou social, mais cedo ou mais tarde cobra seu preço da população. Ainda mais quando há impunidade de ocorridos anteriores, como no caso da Barragem de Samarco em Mariana. Esta, pela extensão que está sendo prevista, pode ter as mesmas consequências. É mais um alerta, doloroso, de que a política de privatizações generalizadas com o afrouxamento de regras para conservação e preservação ambiental podem aumentar, e muito, tragédias como estas".   

Gleisi Hofmann está absolutamente certa: a tragédia que acaba de acontecer é o resultado da privatização. Mas se é assim, a direção do Partido dos Trabalhadores não deve tirar a única conclusão possível exigindo a imediata reestatização da Vale?

Infelizmente, é preciso reconhecer: quando o PT esteve no governo, por treze anos, não reestatizou a Vale. Agora é hora de retomar com força a reestatização da Vale como bandeira do partido. A CUT e os sindicatos devem fazer o mesmo.

A tragédia de Brumadinho, como a tentativa de golpe que acaba de acontecer na Venezuela em razão do petróleo e das riquezas minerais, são duas ilustrações do que é a política de pilhagem dos recursos naturais do imperialismo - particularmente o imperialismo dos EUA - na América Latina.

Numa hora trágica como essa, é importante lembrar que com a "reforma" da previdência pretendida pelo governo Bolsonaro, em nome da ganância do mercado financeiro, prepara-se mais outra tragédia social e humana contra os trabalhadores e a maioria do povo brasileiro. Desde já as organizações dos trabalhadores devem construir a unidade necessária para - através de uma greve geral - barrar esta nova catástrofe anunciada.