
Nota introdutória
Diz a revista Forbes [forbes.pt] que 50 famílias detêm um património de 50 mil milhões de euros, sem contar o imobiliário e outros bens pessoais. Portanto, não longe de um quarto do PIB nacional.
Metade da população vive na pobreza ou à beira dela. À escala mundial, igual ou pior: os EUA caminham para a guerra imperialista global, que visa a China e quem quer que não obedeça a Trump.
Enquanto isto, o novo governo, Montenegro/AD/Chega/(agora também Carneiro), prossegue a continuação das políticas dos últimos anos: baixar salário, aumentar horários de trabalho, desmantelar direitos, destruir definitivamente o SNS, o ensino público e a habitação popular.
O orçamento para 2026 [https://ainternacional.pt/2025/10/19/oe-2026/] e passos subsequentes em preparação são claros: é a guerra social.
Na habitação, milhões e milhões em prendas aos senhorios; preços e rendas continuarão a subir desalmadamente a benefício dos grandes senhorios e dos fundos imobiliários.
A “revisão estrutural” do SNS tentará dar-lhe a machadada final, subordinando os seus escombros ao sector privado e suprimindo o direito à saúde de quem trabalha.
Em contrapartida, IRC reduzido em 1pp, depois de idêntica redução em 2025: 500 milhões para o bolso dos patrões.
A “defesa”, aumentada em 5,1%. E mais 1.200 milhões escondidos: início de uma subida em flecha, em obediência a Trump. O dinheiro é para a guerra, o povo que se lixe.
Salários da função pública a discutir só uma vez “gravados na pedra” do orçamento, com “aumentos” de 2,15% em 2026. A Frente Comum, por exemplo, exige aumentos de 15%.
O projecto de revisão da lei laboral [https://ainternacional.pt/2025/09/12/pacote-laboral/] e da lei da greve fazem recuar os direitos laborais e de autodefesa dos trabalhadores (direito à greve) ao nível do 24 de Abril ou pior.
A infame Maria Luís Albuquerque, comissária da UE de troika infâmia, prepara a contra-reforma da segurança social: pensões entregues aos fundos especulativos [https://ainternacional.pt/2025/10/22/pensoes-na-mira-da-ue/].
O PS viabiliza o orçamento do governo e do patronato. A “esquerda institucional” afunda-se na crise, defendendo obstinadamente o “Estado de direito”, as “instituições e a legalidade democráticas” da burguesia, da governação às ordens da UE e da NATO; ou, no caso do PCP, a estratégia sindical subordinada ao património e interesses do aparelho.
Não podemos continuar assim. Para abrir de novo o caminho de Abril, lutar determinadamente pelas reivindicações e pelo socialismo, é tempo de lançar as bases de um verdadeiro partido dos trabalhadores e da juventude, independente do Estado e do patronato.
Este é o nosso apelo.