EUA: Ganhe Biden ou Trump, ambos prometem guerra

A burguesia dos Estados Unidos - o país imperialista mais poderoso - concentra todas as contradições do sistema capitalista a nível mundial. Foi o que demonstrou o debate televisivo de 28 de Junho, quatro meses antes das eleições presidenciais, entre Biden, candidato do Partido Democrata à sua própria sucessão, e Trump, antigo presidente (2017-2021) e candidato do Partido Republicano.

Biden e Trump discutiram a situação internacional. Biden defendeu a sua política de guerra contra a Rússia, através da NATO, na Ucrânia. À sua maneira, reconheceu que se trata de uma guerra imperialista, que opõe os oligarcas de Washington aos russos que querem “restaurar o que fazia parte do império soviético, e não apenas um pedaço da antiga Ucrânia“. Biden justificou a sua política do ponto de vista dos capitalistas americanos: “Todo o dinheiro que damos à Ucrânia são armas que fabricamos aqui nos Estados Unidos“. Não está errado: as centenas de biliões de dólares em “ajuda à Ucrânia” dos Estados Unidos, mas também dos seus “aliados” na NATO e na União Europeia, beneficiam principalmente os capitalistas americanos, a começar pela indústria de armamento.

Trump, por seu lado, considera que as somas investidas na guerra na Ucrânia são demasiado elevadas para os Estados Unidos. Para ele, não é a América que deve pagar, mas antes de mais os países da NATO, nomeadamente na Europa: “Estamos a pagar as contas dos outros“, lamentou.

Para Trump, o principal alvo do imperialismo americano não é a Rússia… mas a China. “Com este tipo“, disse Trump, referindo-se a Biden, “temos o maior défice com a China“. Trump, acusado por Biden de complacência para com Putin, atirou ao seu rival: “Ele é pago pela China, é um candidato da Manchúria. Recebe dinheiro da China”. Trump quer introduzir tarifas de 10% sobre todos os bens que entram nos Estados Unidos para “forçar os países que nos andam a roubar há anos, como a China (…), a pagar-nos muito dinheiro“. Também aqui, é a defesa dos interesses de Wall Street que orienta o discurso de Trump.

Quanto ao apoio ao genocídio perpetrado por Israel, nota a Foreign Policy (28 de Junho), “ambos os candidatos, previsivelmente, deram um apoio inabalável a Israel, embora em graus diferentes e de formas diferentes“, com Biden a defender o seu historial de entregas de armas aos israelitas e Trump a propor “deixá-los acabar o trabalho“.

Seja quem for que ganhe em Novembro, o próximo ocupante da Casa Branca vai continuar e agravar a política de guerra. Contra a Rússia, contra a China, contra o povo palestiniano… e contra os trabalhadores americanos, que os dois representantes do capitalismo não pouparam durante as respectivas presidências.

Quanto à forma: o debate assemelhou-se a uma batalha de trapeiros, com Biden a dizer a Trump que tinha sido acusado de “dormir com uma atriz porno” e Trump a gozar com a reduzida capacidade intelectual de Biden. É verdade que as repetidas ausências do candidato causaram pânico no topo do Partido Democrata, de tal forma que uma instituição como o New York Times apelou a que se encontrasse urgentemente outro candidato para o substituir. Os trabalhadores americanos não têm interesse em apoiar nenhum dos dois candidatos do capital. Dois candidatos à imagem do sistema capitalista falido que representam.