É oficial.
O fundo abutre do Texas Lone Star, proprietário do NovoBanco, concordou com um banco francês vender-lhe o banco, agora “salvo” e enxuto.
Há anos, o Estado português entregara as partes ditas “boas” do Banco Espírito Santo (entretanto, “Novo Banco”) ao Lone Star. Por uma ninharia.
O Estado engolira, a prejuízo dos contribuintes, o “banco mau”, o fruto da empresa de roubo e pilhagem desenfreados de milhares de milhões pela família Espírito Santo e seus cúmplices, durante décadas.
E agora?
Deixemos falar o jornal Público (14 de Junho):
“Ao alienar os 75% do capital ao grupo cooperativo francês, o fundo norte-americano conseguirá 4,8 mil milhões, a que soma os dividendos de 1000 milhões recebidos nos últimos meses. São cerca de 5,8 mil milhões encaixados, um número que quase sextuplica a aplicação que a Lone Star fez quando adquiriu 75% do banco em 2017. A mais-valia é, portanto, de quase cinco mil milhões de euros.”
Os piratas do Lone Star fizeram o NovoBanco apresentar prejuízos, ano após ano. Assim, puderam ir sacando ao “Fundo de Resolução” milhares de milhões de euros, quase até ao último cêntimo permitido pelo contrato leonino que o Banco de Portugal e o Estado lhes concederam. Logo que a “mama” contratualmente terminou, o NovoBanco passou a apresentar lucros, podendo, assim, começar a pagar dividendos de mil milhões ao Lone Star… Os abutres texanos vão-se embora com um lucro total de 5 mil milhões de euros – o equivalente a 2% do PIB português.
O Estado português perdeu na operação, na totalidade, mais de 6 mil milhões de euros. Quase o mesmo que o Lone Star leva para casa.
Agora que o dinheiro foi para o Texas, Montenegro toca a “reformar o Estado”. Toca a reduzir médicos, enfermeiros, professores. Toca a privatizar o SNS. Toca a continuar o saque.
Toca a vingar-se da revolução portuguesa.