Estados Unidos: Milhões manifestam-se contra Trump

No dia 14 de junho, trabalhadores, jovens e sindicatos mobilizaram-se em mais de 2.100 manifestações em todo o país para protestar contra as políticas de Trump, nomeadamente as detenções de migrantes e as medidas anti-trabalhadores

Milhões de trabalhadores e jovens participaram nas manifestações organizadas em todo o país contra Trump no sábado, 14 de Junho. A maioria das estimativas situa o número de manifestantes entre 4 e 5 milhões, havendo quem chegue aos 11 milhões. O que é certo é terem sido as maiores manifestações desde o assassinato de George Floyd, em 2020. Foram particularmente participadas nas grandes cidades americanas (como Filadélfia, onde estiveram presentes mais de 100 mil trabalhadores), mas foi no número de concentrações que a mobilização foi particularmente grande: mais de 2.100 manifestações decorreram em todo o país.

As manifestações foram convocadas por uma grande variedade de organizações, algumas ligadas ao Partido Democrata, outras não. O slogan do dia era “No King’s Day” [jornada “não queremos reis”], em oposição à deriva autoritária das políticas de Trump. Ao mesmo tempo, Trump organizou uma parada militar em Washington, para assinalar o 250º aniversário do exército norte-americano e o seu próprio aniversário. Não é a primeira vez que se realizam manifestações desde o regresso de Trump à Casa Branca, mas os comícios deste fim de semana foram um passo em frente. As alianças que os convocaram fixaram um quadro que acabou por lhes escapar em boa parte: quer pela natureza de massas dos comícios, quer no próprio teor das palavras de ordem de alguns manifestantes.

Na sequência dos acontecimentos dos dias anteriores em Los Angeles, muitos trabalhadores, jovens e também organizações sindicais aproveitaram estas concentrações para manifestar a sua rejeição das políticas anti-imigração de Trump. Em Los Angeles, participaram na manifestação cerca de 200 mil pessoas, exibindo cartazes de apoio aos trabalhadores imigrantes e contra a ICE, a polícia alfandegária dos EUA. Vários dos meus alunos não compareceram aos exames finais. Estavam demasiado preocupados com a possibilidade de serem perseguidos ou raptados. Ou temiam pelas famílias. Esta política impede simplesmente as pessoas de saírem e viverem as suas vidas. E também de ir à escola. Tais palavras de ordem fizeram-se ouvir não apenas em Los Angeles, mas em todo o país. Os desfiles também incluíram palavras de ordem de apoio ao povo da Palestina e de protesto contra os bombardeamentos no Irão.

Ao contrário das manifestações dos últimos meses, os sindicatos aderiram às concentrações de 14 de Junho numa escala muito maior. Nos desfiles, os activistas do sindicato dos enfermeiros National Nurses United ergueram cartazes alusivos às detenções de imigrantes: “Os direitos dos nossos doentes não conhecem fronteiras”, mas também à falta de recursos nos hospitais: “Financiem os cuidados de saúde, não os bilionários!” Em Chicago, o sindicato dos professores exigiu recursos adicionais para as escolas e a educação. Com razão: desde o seu regresso, Trump tem atacado violentamente os poucos serviços públicos que existem nos Estados Unidos.

A afluência maciça e a composição das manifestações de hoje colocam uma questão na ordem do dia: a de construir, a todos os níveis, uma frente unida de todas as organizações sindicais e populares contra as políticas de Trump e pela revogação de todas as medidas, dos ataques aos imigrantes aos ataques aos orçamentos sociais!

Traduzido e adaptado de Nelly Mary, La Tribune des travailleurs nº 495