A activista judia israelita Orly Noy (presidente da organização de defesa dos direitos humanos B’Tselem) reage à agressão de Israel contra o Irão (16 de Junho):
Com os anos, a população israelita convenceu-se de que lhe era possível existir na região desprezando profundamente os seus vizinhos — massacrando quem, quando e como bem entendesse, à base da mera força bruta. Há quase oitenta anos que a “vitória total” está à mão de semear: é só derrotar os palestinianos, eliminar o Hamas, esmagar o Líbano, destruir as capacidades nucleares do Irão, e o paraíso é nosso.
Só que há quase oitenta anos que as tais “vitórias” acabam por ser vitórias pírricas. Cada uma foi atirando Israel para o isolamento, a ameaça e o ódio. A Nakba de 1948 criou a crise dos refugiados, que não há meio de desaparecer, e lançou as fundações do regime de apartheid. A vitória de 1967 deu origem a uma ocupação que continua a alimentar a resistência palestiniana. A guerra de Outubro de 2023 acabou num genocídio que fez de Israel um pária mundial.