O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, foi à Grã-Bretanha para conseguir do governo de Keir Starmer (Partido Trabalhista) um aumento das despesas militares para 5% do produto interno bruto (PIB) britânico. Outro tanto exige Trump aos 32 países membros da NATO. Isto representa uma verdadeira mudança da sociedade à escala mundial, em nome da sobrevivência do sistema capitalista moribundo.
Interrogado pela imprensa sobre como financiar o aumento das despesas militares para 5% do PIB, Rutte respondeu: “Se não chegarem aos 5% (…) sempre podem manter o vosso SNS e o vosso sistema de pensões… mas o melhor é começarem já a aprender russo” (The Telegraph, 9 de Junho). Diz a NATO aos trabalhadores britânicos que, se eles recusarem o aumento das despesas militares em nome da preservação das conquistas sociais,… terão rapidamente o país invadido pelas hordas de Putin. E não só de Putin, insiste Rutte: “A China está a aumentar enormemente o seu exército”. Em suma, aceitem o aumento do orçamento militar para o nível exigido por Trump e pela NATO e digam adeus ao sistema de saúde e aposentação. Segundo The Telegraph, o primeiro-ministro britânico tinha-se inicialmente comprometido “a gastar 3% do PIB na defesa até ao final da próxima legislatura”. É, portanto, um incremento significativo.
Porém, insuficiente para a NATO, que imediatamente meteu na ordem Starmer: “Menos de vinte e quatro horas mais tarde, a NATO disse para aumentar o valor para um mínimo de 3,5% do PIB*, o que Sir Keir imediatamente aceitou” (The Telegraph).
Na Grã-Bretanha, um primeiro-ministro “de esquerda” curvou-se perante o diktat da NATO, aceitando sacrificar as pensões e os hospitais no altar dos 5%.
Na Alemanha, ministros sociais-democratas encarregam-se de conseguir que os sindicatos aceitem o maior plano de rearmamento desde 1945, no valor de 1 bilião de euros (um milhão de milhões).
Em França, deputados “de esquerda” (PS, EELV, LFI) ao Parlamento Europeu votaram, por mais de trinta vezes, a favor dos créditos de guerra para a NATO na Ucrânia…
Em Portugal, um ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, declarou em entrevista à agência Lusa: “Nós não seremos dos mais rápidos, mas também não ficaremos para trás. O país não pode ficar para trás nesta questão, isso seria crítico, até porque Portugal defende uma enorme fronteira da Europa, a fronteira do Atlântico Norte”.
Contra esta política de apoio à militarização generalizada do mundo, exigida por Trump, os trabalhadores só podem responder:
Nem um cêntimo, nem uma arma, nem um soldado para a guerra! O dinheiro para as escolas e hospitais, a habitação e a segurança social!
* O truque consiste em aumentar a despesa com a defesa propriamente dita para 3,5% do PIB e outras despesas com incidência militar (infra-estruturas, etc.) para 1,5%, perfazendo 5%.