A agressão de Israel ao Irão é mais do que uma das muitas provocações militares de Netanyahu. Faz parte de uma estratégia global, que o ministro dos Negócios Estrangeiros de Trump descreveu da seguinte forma: “Cabe-nos criar de novo um mundo livre do meio do caos”. “Nós” refere-se ao capital financeiro dos EUA, que não pode deixar que nada nem ninguém se interponha no seu domínio imperialista do mundo.
No Médio Oriente, onde não faltam regimes árabes devotados a Washington, cabe ao Estado sionista “pilotar este novo mundo do meio do caos”.
Netanyahu aproveitou o ataque do Hamas de 7 de Outubro de 2023 para tentar “resolver” definitivamente a questão palestiniana à sua maneira: extermínio e expulsão em Gaza, anexação na Cisjordânia. Objectivo declarado: a criação de um único Estado “exclusivamente judeu” do mar até ao rio Jordão.
A agressão israelita no Líbano desmantelou a força militar do Hezbollah, um aliado do Irão.
A intervenção de Israel na Síria destruiu sistematicamente toda a infra-estrutura militar do antigo regime.
Com a guerra contra o Irão, “o Estado hebreu, além de instalações militares e nucleares da República Islâmica, ataca estabelecimentos económicos, postos de polícia e ministérios, na esperança de desorganizar o país” (Le Monde, 16 de Junho).
A natureza do regime iraniano e as armas nucleares de Israel são meros pretextos. Isso mesmo reivindicou Netanyahu, dizendo que “estamos a mudar a face do Médio Oriente” (16 de Junho). Com a luz verde de Trump.
Que vergonha para Macron que, no dia seguinte à agressão israelita, se atreve a continuar a armar os genocidas de Gaza em nome do “direito de Israel a defender-se”!
Como muito bem resumiu um jornalista, o que, sim, se devia fazer era “tratar Israel como qualquer Estado que se comporte assim, portanto, como um Estado pária. Suspender todos os acordos com ele e aplicar-lhe sanções“.*
* Anthony Samrani, co-editor-chefe do diário L’Orient-Le Jour, na France Inter (16 de Junho).