“Como Trump humilhou os europeus na cimeira da NATO” (Le Point, 29 de Junho). É assim que o antigo embaixador francês nos Estados Unidos, Gérard Araud, descreve a capitulação de todos os chefes de Estado e de Governo perante Trump, aceitando aumentar as suas despesas militares para 5% do produto interno bruto. “Fizeram tudo para agradar” a Trump, “ao ponto de perderem a sua dignidade”, acrescenta.
Macron, claro; o “trabalhista” britânico Starmer; o chanceler alemão Merz; sem esquecer o sultão Erdogan, que esqueceu as suas diatribes “anti-imperialistas”. O primeiro-ministro “socialista” de Espanha, Sanchez, que tinha manifestado algumas dúvidas, também desistiu.
Trump deu-se ao luxo de uma última provocação antes da cimeira. Anunciou que os Estados Unidos ficariam isentos da regra dos 5%: “Penso que eles (outros Estados membros da NATO) deveriam fazê-lo. Não penso que NÓS devêssemos fazê-lo. Não acho que NÓS o devamos fazer“.
São “os outros” que têm de pagar as guerras decididas e dirigidas pelo imperialismo norte-americano, que ganha duplamente, pois o aumento dos orçamentos militares anuncia lucros enormes para a sua indústria militar, “número 1” do mercado mundial de armas.
No entanto, embora todos tenham aceitado o objetivo de 5% face a Trump, na vida real é “impossível de alcançar”, observa um colunista do muito capitalista BFMTV. Porque isso significaria conseguir extorquir mais 677 mil milhões de euros à classe trabalhadora dos trinta e dois países membros da NATO. Mas os trabalhadores estão longe de ter dito a sua última palavra.
Nem um cêntimo, nem uma arma, nem um soldado para a guerra! O dinheiro para as escolas e hospitais, a habitação e a segurança social!