“E agora onde vou ficar?”

Câmara de Loures destrói barracas sem alternativa para ocupantes

Eis como se tratam os trabalhadores que não conseguem arranjar casa por causa da política de especulação imobiliária promovida pelo governo e tolerada ou promovida também pelas autarquias.

Para esses trabalhadores, muitas vezes imigrantes, trabalharem pelo salário mínimo ou menos para patrões bem instalados, que muitas vezes os vão buscar com a ajuda de redes de traficantes — tudo óptimo, bem-vindos.

Porém, se quiserem dormir à noite e abrigar os filhos debaixo dum tecto, mesmo que precário e indigno — nesse caso, caem sob a alçada da “política de combate à ocupação ilegal do território” da câmara de Loures e quejandas.

Não se pode, certamente, culpar primariamente as autarquias pela situação geral da habitação, pelo estado de coisas a que se chegou, que é da responsabilidade de sucessivos governos e dos interesses que eles têm servido, os dos senhorios, especuladores imobiliários nacionais e estrangeiros e capitalistas em geral.

Ainda assim, é espantoso que, quando nenhum realojamento salubre e seguro tinha a propor aos trabalhadores desalojados, uma vereadora do PS tenha podido dizer, certamente com a bênção do presidente da câmara seu chefe, que “as barracas não são uma “solução viável por questões de insalubridade e insegurança”.

Para esta gente, pôr trabalhadores e crianças a dormir ao relento é “salubre e seguro”?!

Todo o apoio à luta destes trabalhadores pelo seu direito a uma habitação digna e, enquanto não a tiverem, a não serem escorraçados como animais pela polícia de choque a mando dos autarcas e do governo!

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