Todos os dias, Trump anuncia iminente um acordo entre o Hamas e Israel. Todos os dias, 50, 60, 100 palestinianos — principalmente mulheres e crianças — são assassinados em Gaza; enquanto isso, na Cisjordânia, aldeões são atacados e jovens assassinados por colonos enfurecidos, que querem aproveitar a oportunidade para confiscar terra da Palestina.
No dia 9 de Julho, os médicos palestinianos deram o alarme: a subnutrição e a insalubridade estão a provocar uma verdadeira explosão de casos de meningite nas crianças — casos que, tudo lhes faltando, não conseguem tratar convenientemente.
Todos os dias continuam também, implacavelmente, os massacres em redor dos pontos de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), que Trump impôs a pedido de Netanyahu.
A principal preocupação de Netanyahu é — como é do domínio público — evitar que o seu governo caia. Para isso, tem de evitar que os ministros de extrema-direita, Ben Gvir e Smotrich, rompam com a coligação. Tem, portanto, de lhes dar garantias.
Assim, Netanyahu vai continuando, com a cumplicidade de Trump e de todas as potências imperialistas, a entreter, por um lado, a farsa das pseudo-negociações sob a égide do Qatar. Por outro lado, intensifica-se a ofensiva militar do Estado sionista em todas os domínios.
O horror é diário: no dia 12 de Julho, a Radio France Internationale citou o jornal online +972, que relatava que “o exército israelita está a utilizar drones de fabrico chinês”, que custam “cerca de 3.000 dólares na Amazon”. Funcionam de maneira simples: “Acopla-se uma granada de mão ao drone, e basta carregar num botão para a granada ser largada”.
O horror é diário
Testemunha um soldado israelita que “durante mais de 100 dias, os soldados efectuaram dezenas de ataques com drones (…). O objectivo dos ataques era matar, apesar de a maior parte das vítimas estar a tal distância, que não constituía qualquer ameaça“.
Outro soldado confirma que “houve muitos incidentes de bombardeamento com drones“. À pergunta se “visavam homens armados“, responde que “não, de certeza absoluta que não”.
Acrescenta que “logo que um comandante descreve uma linha vermelha imaginária que ninguém pode atravessar, quem a atravessar está condenado à morte, ainda que seja simplesmente por andar na rua”.
Em 11 de Julho, o jornal israelita Ha’aretz publicou um artigo com o título “O Estado judeu está a construir um gueto”. Explica um editorial do jornal que “Israel quer construir o campo de concentração mais moral do mundo”.
O que realmente se quer construir é “uma cidade humanitária em Rafah, no sul da Faixa de Gaza. O plano prevê, assim, estacionar 600 mil palestinianos no Sul do enclave de Gaza, ficando os civis proibidos em absoluto de sair da zona“, passando o resto da Faixa de Gaza a ser considerada zona de ocupação militar pura e simples.
Israel, “Estado judeu”? Percebe-se o que os autores estão a tentar dizer. Mas um Estado que condena a população ao extermínio não é nem deixa de ser judeu, católico ou muçulmano: é um Estado genocida.
O gueto de Gaza nada tem a invejar ao gueto de Varsóvia.