Israel anuncia deportações e campos de concentração. Travemos a aniquilação do povo palestiniano!

A 27 de Junho, dois reservistas israelitas afirmavam ao diário israelita Haaretz: “O exército israelita dá ordens para disparar, quando distribui ajuda… Não conheço nenhum caso de fogo de resposta, não há inimigo, não há armas…”. “A perda de vidas humanas não interessa” (Courrier international).

Referiam-se estes soldados aos massacres que continuam até hoje a coberto do simulacro de distribuição alimentar promovido pela GHF (Gaza Humanitarian Foundation, uma organização privada criada pela administração Trump e pelo governo israelita), que utiliza a fome, que entretanto grassa em Gaza, como arma de extermínio.

Agora, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, apresentou planos e deu ordens às tropas israelitas para forçar todos os palestinianos de Gaza a instalarem-se num campo nas ruínas de Rafah. Chamou ao campo “cidade humanitária”.

Os palestinianos ficariam submetidos a um “controlo de segurança” antes de entrarem e, uma vez lá dentro, não poderiam sair, disse o ministro num briefing para jornalistas israelitas.

Inicialmente seriam forçados a ir para a zona 600 mil palestinianos, na sua maioria actualmente deslocados na zona de al-Mawasi. O perímetro seria controlado pelos militares israelitas. Toda a população de Gaza seria obrigada a emigrar para o local, mais tarde ou mais cedo.

Desde que Donald Trump sugeriu, no início do ano, que grande número de palestinianos devia sair de Gaza para “limpar” a faixa, os políticos israelitas, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, têm promovido entusiasticamente a deportação forçada, apresentando-a frequentemente como um projeto dos EUA.

“É claro: agora Israel tem um plano de limpeza étnica dos palestinianos de Gaza”, escreveu o jornalista israelita Gideon Levy em título do seu artigo de 20 de Julho no Haaretz.

Katz apresentou um plano operacional para um crime contra a humanidade. Não é nada mais nem nada menos do que isso“, disse Michael Sfard, um dos principais advogados israelitas especializados em direitos humanos. “Trata-se de uma transferência de população para o extremo Sul da Faixa de Gaza, em preparação da deportação para fora da Faixa”.

A Reuters informou, na segunda-feira, que já tinham sido apresentados à administração Trump e discutidos na Casa Branca planos para a construção de campos de concentração, chamados “áreas de trânsito humanitário”, para abrigar palestinianos dentro e, possivelmente, fora de Gaza.

O plano, no valor de 2 mil milhões de dólares, tinha o nome da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada pelos EUA, disse a Reuters. A GHF negou ter apresentado a proposta e disse que os slides que a Reuters vira, que apresentavam o plano, “não são documento da GHF”.

Não há memória de um Estado se atrever a anunciar publicamente um plano para instituir campos de concentração, no contexto de um genocídio disfarçado de guerra, que se arrasta desde Outubro de 2023.

Tal só é possível com o silêncio e a cumplicidade do “Ocidente civilizado”, que continua a abastecer Israel de armas para o extermínio, enquanto os genocidas continuam com a barbaridade, que não se restringe a Gaza. O colono de extrema-direita e ministro das Finanças, Smotrich, decidiu fazer de “2025 o ano da soberania na Judeia-Samaria” (nome bíblico da Cisjordânia): a anexação pura e simples.

A aniquilação e a deportação da população de Gaza e a anexação da Cisjordânia são parte de um só todo: a expulsão dos palestinianos da sua terra a benefício da colonização sionista.

Beneficiando do apoio financeiro, militar e político dos governos americanos (o de Trump, hoje, e o de Biden, ontem), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, pode-se dar ao luxo de gozar abertamente com os dirigentes europeus que derramam lágrimas de crocodilo: “Eles reconhecerão um Estado palestiniano no papel e nós construiremos o Estado judeu israelita aqui”.

Não é demasiado tarde para deter o braço dos assassinos. Para isso, cumpre ao movimento operário e democrático mundial empenhar-se na ruptura total dos laços de todos os governos com o Estado de Israel.