Novo crime de guerra perpetrado pelo exército de Israel
Israel assassinou cinco jornalistas da Al-Jazeera, entre os quais Anas Al Sharif, num ataque deliberado junto ao Hospital Shifa. Os outros quatro foram Mohammed Qreiqeh, Ibrahim Zaher, Moamen Aliwa e Mohammed Noufal.
“É uma tentativa desesperada de silenciar vozes, antecipando-se à ocupação de Gaza”, referiu a emissora. “Anas Al Sharif e os colegas eram das últimas vozes em Gaza a transmitir a trágica realidade ao mundo.”
Em Julho, o Comité para a Protecção dos Jornalistas havia-se declarado “seriamente preocupado” com a segurança de Anas Al Sharif. Referiu que o repórter era “alvo de uma campanha de difamação militar israelita”.
Em declarações à Al-Jazeera, Ken Roth, antigo director executivo da Human Rights Watch, disse que “não foram mortes acidentais. O caso não é que um jornalista fosse por acaso apanhado num bombardeamento de Israel contra civis palestinianos em geral. Esta morte foi intencional.”
(…) “quando se soma ao padrão de assédio que havia contra ele [acusações infundadas, por parte de Israel, de que Anas Al Sharif dirigia uma célula do Hamas] os esforços para silenciá-lo, fica muito claro o que está a acontecer.”
(…) “A razão pela qual o jornalismo é tão importante é que é uma das formas de responsabilizar o Governo israelita pelas atrocidades em massa cometidas em Gaza. Se ninguém souber, é mais fácil Israel escapar impune. Essa é a lógica desprezível por trás dos esforços para silenciar e matar jornalistas”.
Esta acção não é um acidente ou um dano colateral. Faz parte de uma campanha contínua de assassínios selectivos de jornalistas palestinianos por parte de Israel. É um puro e simples crime de guerra. É parte de uma política coerente e documentada de silenciamento das vozes da comunicação social e de ocultação da verdade sobre o genocídio que Israel está a cometer em Gaza.
É, também, um prenúncio do que Israel prepara com a anunciada ofensiva contra a cidade de Gaza, que pretende a todo o custo que fique oculto dos olhos do mundo.
Colaborando descaradamente com a tentativa desesperada de Israel de silenciar qualquer denúncia do genocídio em Gaza, todos os meios de comunicação “main stream” noticiam o assassinato destes jornalistas com títulos semelhantes aos do jornal Público de hoje: “Cinco jornalistas da Al-Jazeera mortos em Gaza. Israel diz que um deles era comandante do Hamas”, omitindo ardilosamente a realidade de um assassinato puro e simples, de um crime de guerra.
Até ao momento em que escrevemos, não se conhece ainda a reacção da classe jornalística nacional a mais um assassinato de um colega no exercício das suas funções…
É imperioso deter o braço dos assassinos. Para isso, cumpre ao movimento operário e democrático mundial empenhar-se na ruptura total dos laços de todos os governos com o Estado de Israel.
Sabendo que era um alvo do IDF (o exército de Israel), al-Sharif deixou uma mensagem final, escrita a 6 de Abril, para ser publicada na sua página da rede social X, no caso da sua morte.
