Ataques aos funcionários de agências federais (ver abaixo), operação de deportação e expulsão de imigrantes… Desde que Trump regressou à Casa Branca, não há dia em que não seja tomada uma nova medida reaccionária e contra os trabalhadores.
A 11 de Agosto, Trump anunciou em conferência de imprensa que iria mobilizar a Guarda Nacional para Washington, pondo a polícia local sob a sua alçada, por a cidade estar a ser “invadida por gangues violentos e criminosos sedentos de sangue“. Afirmação completamente refutada pela imprensa, que refere que a taxa de criminalidade na cidade está em diminuição há dois anos.
Poucos dias antes, Trump ordenara que fosse reposta em Washington uma estátua do general confederado Albert Pike, próximo do Ku Klux Klan. A estátua tinha sido derrubada em 2020 durante manifestações “Black Lives Matter” contra o racismo.
A 6 de Agosto, o ministro da Saúde de Trump, Robert Kennedy Jr., conhecido pelas suas posições conspiratórias e anticientíficas, retirou o financiamento público a programas de desenvolvimento de vacinas baseadas em ARN mensageiro (mRNA)… Uma medida considerada desastrosa por muitos médicos e cientistas.
Em 8 de Agosto, o ministro da Defesa de Trump, Pete Hegseth, partilhou nas suas redes sociais um trecho da reportagem da CNN “Cruzada pelo domínio cristão na era de Trump“. Nesse trecho, defende-se a ideia de que as mulheres não deviam ter direito de voto! Se bem que nem Hegseth nem Trump tenham para já capacidade para anular esse direito, é uma provocação que reforça um clima já de si hostil aos direitos das mulheres…
A este respeito, a 7 de Agosto, o New York Times informava que a administração Trump se preparava para incinerar o equivalente a 9,7 milhões de dólares de contraceptivos femininos armazenados na Bélgica, originalmente destinados a missões humanitárias no contexto de programas da USAID, que Trump mandou cancelar. Uma ONG propôs enviar e redistribuir gratuitamente a mercadoria nos Estados Unidos, mas a administração presidencial recusou.
Perante esta ofensiva reaccionária, é urgente erguer, nos Estados Unidos, uma frente única das organizações operárias e negras para pôr termo a Trump e às suas medidas antidemocráticas e contra os trabalhadores.
Ataque brutal aos direitos sindicais dos trabalhadores federais

Em Março, um decreto de Trump atacou o direito das organizações sindicais a negociarem os contratos colectivos dos funcionários de uma série de agências federais (saúde, protecção do ambiente, antigos combatentes). Em tais contratos, negociados pelo sindicato com o empregador, cabem tanto salários e condições de trabalho como o regime de aposentação e a cobertura na doença…
Na sequência de queixas judiciais apresentadas por vários sindicatos, a decisão foi suspensa por um juiz federal em Março. A 1 de Agosto, porém, um tribunal da relação revalidou o decreto… Centenas de milhares de funcionários de agências federais vêem-se privados do direito de mandatar os sindicatos para negociar em seu nome.
Logo no dia 6 de Agosto, a direcção do Serviço dos Antigos Combatentes (“Veteranos”), agência federal que assegura a protecção social dos antigos combatentes do exército, correu a rescindir o acordo colectivo dos seus mais de 400 mil funcionários: enfermeiras, médicos, empregadas domésticas, empregados na restauração, advogados, funcionários de cemitérios, especialistas em prestações sociais… excepção feita aos polícias, bombeiros e agentes de segurança.
A AFGE, principal sindicato dos funcionários federais, que negociara o acordo colectivo, deixou de ter o direito de defender os funcionários em caso de litígio com o empregador. Além disso, foi-lhe retirada parte das quitações dos seus funcionários permanentes. O presidente do sindicato denunciou as “represálias da administração Trump“, que servem para punir os sindicatos que se opuseram às tentativas de despedimento colectivo de funcionários federais. Os funcionários são um dos principais alvos do intento de Trump de reduzir as despesas do Estado federal, mormente para permitir um novo aumento do orçamento militar. Embora a decisão do tribunal da relação seja um golpe para a classe trabalhadora, os trabalhadores ainda não disseram a última palavra, como mostram as greves operárias que continuam, por exemplo, nas fábricas de armamento da Boeing.