Escrevia o jornal israelita Haaretz de 13 de Agosto que “o governo israelita está para aprovar, para a semana, planos de construção na área E1, que isolariam o Norte da Cisjordânia das regiões a sul. O polémico plano, adiado durante anos pela pressão internacional, tem implicações dramáticas para as perspectivas de uma solução de dois Estados (…)”.
Nesse mesmo dia e no dia seguinte, o ministro fascista de Netanyahu Bezalel Smotrich foi de uma clareza meridiana, declarando que ia abrir concursos para construção de três mil fogos na área E1 e que a aprovação do plano “enterra a ideia de um Estado palestiniano“. Indicando ter todo o apoio do primeiro ministro, aludiu aos países que andam a dizer que vão reconhecer o Estado palestiniano, avisando que, em Setembro, já “nada haveria para reconhecer“. Acrescentou que o plano não era um mero plano de construção, mas “o sionismo no seu melhor — construir, colonizar, reforçar a nossa soberania na terra de Israel“.
A chamada “solução de dois Estados” – baseada na noção idílica de israelitas e palestinianos a viverem pacífica, mas separadamente, em nações independentes contíguas, com Israel pesadamente armado e a Palestina desarmada – foi consignada num conjunto de acordos conhecido como Acordos de Oslo, assinados por dirigentes israelitas e palestinianos no início da década de noventa. Contudo, foi há muito radicalmente desmentida, servindo essencialmente de cobertura à expansão de colonatos judeus na Cisjordânia ao longo dos últimos 30 anos, apesar de tal expansão ser ilegal à luz do “direito internacional”. Mais recentemente ainda, os massacres israelitas em Gaza têm mostrado o que essa “solução” vale.
No âmbito dos acordos de Oslo, a Cisjordânia foi dividida em três zonas administrativas: Área A, sob controlo total palestiniano, Área B, sob controlo conjunto israelita e palestiniano, e Área C, sob controlo total israelita. E, no entanto, a situação na Cisjordânia em 2024 era já a que se documenta na figura abaixo (Fonte: Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários).

A construção de novos colonatos na Cisjordânia intensificou-se ainda desde 2023. O desbloqueamento da área E1 divide a Cisjordânia em duas, criando uma linha contínua de colonatos de Jerusalém até à Jordânia. A barreira construída por Israel de separação de Jerusalém da Cisjordânia — considerada ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça — poderá também ser deslocada para abranger os colonatos próximos.

Netanyahu prossegue o genocídio em Gaza. Estende-o à Cisjordânia, onde a violência israelita contra os palestinianos se intensifica cada dia. Prepara a invasão da cidade de Gaza. Anunciando a liberação do projecto E1, enterra definitivamente, com a conivência dos Estados Unidos e da União Europeia, a pseudo-“solução de dois Estados”.
Vergonha e humilhação para aqueles que, enquanto vão fornecendo armas a Israel, agora andam a prometer reconhecer o Estado palestiniano. Que Estado palestiniano? Um conjunto de “bantustões” no interior do Estado genocida?
Só a ruptura total de todos os laços de todos os governos do mundo com o Estado de Israel pode deter o braço dos assassinos. Cumpre ao movimento operário e democrático mundial empenhar-se nessa luta.