Militantes operários internacionalistas da Ucrânia relatam que “foi realmente uma revolta espontânea, sem qualquer organização ou planeamento, a que ocorreu na noite de 1 para 2 de Agosto, perto do estádio Lokomotiv, em Vinnytsia (cidade de 370 mil habitantes, 250 quilómetros a sudoeste de Kiev). Cerca de cem homens, jovens e menos jovens, mobilizados pelo centro de recrutamento (TTsK), tinham sido encerrados no estádio na manhã desse mesmo dia. Dali, era para serem enviados para a frente, após uma recruta sumária. Ao saberem disso, os familiares divulgaram a informação nas redes sociais. Em poucas horas, dezenas de familiares e moradores indignados reuniram-se à entrada do estádio para tentar libertá-los. Acabaram por arrombar as portas, fizeram frente à polícia, mas, infelizmente, não conseguiram o seu objectivo. Onze brigadas de cães policiais enviadas de emergência dispersaram-nos. Apenas algumas dezenas de manifestantes permaneceram nas proximidades do estádio, enquanto os mobilizados eram discretamente evacuados pelas saídas de serviço. No intuito de espalhar o terror, cinco manifestantes foram detidos e acusados de violar o Código Penal, e a polícia arremessou gás lacrimogéneo contra os sitiantes, entre os quais se incluíam mulheres“.
Os pais e cidadãos revoltados não conseguiram, desta vez, salvar estes homens condenados ao matadouro. Ainda assim, este incidente, e dezenas de outros do mesmo tipo, dão testemunho da resistência dos trabalhadores e jovens da Ucrânia que se recusam a ser enviados para a frente. Recusam-se a servir de carne para canhão para defender os interesses dos seus próprios oligarcas e da NATO. Tal como jovens, trabalhadores, mobilizados e mães de soldados se recusam, na Rússia, a ser a carne para canhão do regime corrupto de Putin.
Enquanto isso, Trump, Putin e Zelensky continuam a sua “jogatana”. Trump anuncia destacar dois submarinos nucleares contra a Rússia; a seguir, anuncia que se vai encontrar com Putin no Alasca… Do que Trump mais se vangloria é, no entanto, de, na cimeira da OTAN, ter conseguido que todos os chefes dos Estados-Membros se comprometessem a passar a pagar a totalidade da factura: “A ajuda militar europeia compensa, pelo menos em termos financeiros, a suspensão das entregas de armas americanas” (Les Échos, 8 de Agosto). É “só ganho” para os Estados Unidos, pois, nos termos das decisões da cimeira da NATO, as armas fornecidas à Ucrânia são financiadas pelos Estados europeus, mas fabricadas e vendidas pela indústria militar americana. Os governos da Holanda, Suécia, Dinamarca e Noruega acabam de pagar quinhentos milhões de euros em armas “made in USA” para fornecer a Kiev.
Contra todos os governos fautores de guerra, é necessário que os trabalhadores de todo o mundo apoiem os seus irmãos e irmãs russos e ucranianos que não aceitam serem mandados para o matadouro.