Nepal: Viva a revolta da juventude operária e estudantil!

Estudantes do ensino liceais, universitários, operários, empregados, às dezenas de milhar, protestaram, em Katmandu, no dia 8 de Setembro de 2025, contra uma medida do governo de bloqueio das redes sociais.

A polícia disparou à queima-roupa, fazendo mais de trinta mortos. Como na Indonésia, os manifestantes invadiram os edifícios oficiais e as sedes dos partidos do governo. 

A 9 de Setembro, o primeiro-ministro renunciou. Evacuado de helicóptero, terá fugido para Dubai. 

Vi gente a ser baleada à frente do Parlamento. O protesto é contra a corrupção no país. Estamos fartos dos velhos chefes”, disse o estudante Pawan Sharma, de 20 anos, citado (tal como os seguintes) pela agência Reuters. “Quero que os jovens que deixaram o Nepal regressem e espero que os dias que se avizinham sejam melhores do que os passados” (Srijana Bhujel, operária têxtil de 19 anos). “É nosso dever reconstruir o país. É preciso criar emprego” (Sunita Khadka, estudante de 21 anos). “Fizemos bem em protestar, em fazer ouvir a nossa voz” (Saran Shrestha, professor de 27 anos). 

Nos últimos vinte anos, o Nepal, pequena nação dos Himalaias, situada entre a Índia e a China, foi palco de intensas mobilizações revolucionárias. Em 2006, a greve geral operária conjugou-se com a guerrilha camponesa, dirigida por partidos maoistas, derrubando a velha e detestada monarquia. Os partidos maoistas depuseram as armas e tornaram-se na principal força da Assembleia Constituinte de 2008. 

Em nome da política da “revolução por etapas*”, estes partidos viraram costas, porém, às aspirações dos trabalhadores das cidades e do campo, participando em alianças governamentais com partidos burgueses durante quinze anos. Puserem em prática uma política de subordinação às instituições financeiras internacionais, em detrimento dos interesses da maioria. 

Assim, em 2024-2025, o governo afectou ao reembolso da dívida externa somas “superiores a todo o orçamento nacional para o desenvolvimento” (Republica, 10 de Agosto). Para conseguirem reembolsar uma dívida que não era do povo, os “comunistas” no poder privatizaram à tripa forra. A 1 de Julho, o governo anunciou a privatização de quatro novas empresas públicas (tabaco, fiação, metalurgia, manganês). É uma política que arruina a população e atira os jovens para a emigração. 

Na véspera da explosão revolucionária, encerrava-se com grande pompa o congresso do partido do primeiro-ministro, o Partido Comunista Marxista-Leninista Unificado (CPN-UML), ao som da palavra de ordem de “orientar o partido para a classe operária”. 

Ora, a 8 de Setembro, o que a juventude operária e estudantil afastou foi um governo de “esquerda” que traíra os trabalhadores e os camponeses, subordinando-se aos capitalistas, ao imperialismo e à sua “dívida”. 

Jean Alain, 11 de Setembro de 2025 

* A política stalinista da “revolução por etapas” opõe-se à teoria marxista da revolução permanente. Afirma que, nos países dominados pelo imperialismo, a primeira “etapa” da revolução é “democrática burguesa”, adiando para um futuro indeterminado a segunda “etapa” da revolução socialista.