A NATO e o regime de Putin estão metidos numa perigosa escalada de provocações e contra-provocações.
No dia 10 de Setembro, o governo polaco denunciou o sobrevoo do seu espaço aéreo por uma vintena de drones russos. Em resposta, a NATO lançou a operação «Sentinela do Leste», que, diz, “envolverá forças variadas (Dinamarca, França, Reino Unido, Alemanha)“. Macron destacou mais três aviões Rafale “para contribuir para a protecção do espaço aéreo polaco“.
Tudo isto, numa região altamente inflamável. Além da vizinhança da Ucrânia em guerra, dez mil soldados russos e bielorrussos estão mobilizados para exercícios militares conjuntos. À frente deles, do lado de lá da fronteira, manobram quarenta mil soldados polacos e da NATO.
No dia 13 de Setembro, a Roménia afirmou que um drone russo sobrevoou o seu espaço aéreo durante cinquenta minutos. Enviou dois caças F-16, indicando terem “os pilotos autorização para abater o alvo, mas decidido não abrir fogo devido aos riscos colaterais“. Convém dizer que usar um F-16 contra um drone “é como usar uma Kalashnikov para matar uma mosca“, como comenta a France Info (14 de Setembro).
O ex-presidente russo Medvedev ameaçou que, se a NATO abater um drone russo, “isso redundará numa guerra entre a Rússia e a NATO“. Trump anuncia possíveis “novas sanções” contra a Rússia e faz um ultimato aos chefes de Estado húngaro e eslovaco — dois aliados próximos de Putin e, até agora, admiradores de Trump — , acusados de comprar petróleo russo.
Por trás da escalada está a necessidade urgente que o sistema capitalista em agonia sente de acelerar a militarização generalizada da economia.
Três anos de economia de guerra na Rússia tornaram a indústria militar na principal fonte de crescimento do PIB russo. Por sua vez, os países da NATO aumentam as respectivas despesas militares, seguindo as ordens de Trump.
O melhor aluno da turma é a Polónia. O seu orçamento militar atingirá 45 mil milhões de euros em 2026 (4,8% do PIB). Acelera-se o endividamento do país? Não há problema! A dívida, ao que parece, nem sempre é um problema. Tanto mais que o governo de Varsóvia faz tenções de “atacar os generosos programas sociais“, segundo indica um economista do banco ING.
adaptado de Jean Alain (La Tribune des travailleurs)