Apelo dos “Solidários”

Vivemos uma época de destruição social, em que se sucedem os desastres e as guerras.

Trump promove a guerra pelo mundo e protege, arma e encoraja o genocídio da Palestina.

A UE diz que se formou para que não voltasse a haver guerra na Europa, mas promove a guerra na Ucrânia à força de biliões e promove a militarização da economia e da sociedade dos países europeus à custa da
destruição da segurança social, saúde, educação, habitação.

O chanceler alemão Merz disse‐o publicamente: “o paradigma mudou”; o “Estado social já não é financiável”.

O recente desastre do elevador da Glória em Lisboa é sinal do desastre social global meticulosamente preparado pelo governo Montenegro/Ventura contra as classes trabalhadoras.

Nele se conjugam o desastre da privatização e/ou externalização de serviços e o desastre da precarização geral do trabalho com o desastre do hiperturismo, que esteriliza as cidades, estimula a especulação o
parasitismo e expulsa a população trabalhadora, e com o desastre anunciado da sextuplicação do orçamento militar nos próximos anos à custa de todos os orçamentos que servem a população trabalhadora.

Mas não lhes basta: a ofensiva patronal anunciada no pacote “Trabalho XXI” é o assalto mais feroz à vida e aos direitos dos trabalhadores de que há memória desde o 25 de Abril. Segmentar, individualizar, precarizar as relações laborais, pôr todos a contratos a termo ou equivalente, consolidar a caducidade das convenções colectivas, plataformizar cada vez mais jovens e trabalhadores, condenados à escravidão digital, garantir mão de obra barata com a “flexibilização”, e a “facilidade de contratar e despedir”: tal é o “alfa e o ómega” do pacote laboral.

Para cortar a cabeça à resistência, Montenegro tem em preparação a proibição do direito à greve, alterando a lei. Corre hoje na Menzies, ex‐Groundforce, comprada por um fundo abutre por uma ninharia, uma luta em que se juntam todos estes ingredientes, tudo o que eles querem fazer a quem trabalha — se não nos defendermos. A Menzies pratica impunemente tabelas salariais abaixo do salário mínimo. Os trabalhadores, defendendo‐se, marcaram greves escalonadas até ao fim do ano. O governo, embora ainda não tenha alterado a lei da greve, decretou “serviços mínimos” iguais a 100% do funcionamento — ou seja, proíbe a greve!

A Menzies é um ensaio geral.

Sobre as direcções do movimento dos trabalhadores, sobre sindicatos, comissões de trabalhadores e partidos que falam em nome do trabalho impende uma enorme responsabilidade.

A vitória da ofensiva combinada da reacção patronal e da direita e extrema‐direita política, apoiadas nas instituições da UE e na ordem imperialista do mundo, não está garantida.

Há uma força que a pode deter e vencer, e é a força organizada do trabalho.

Os Solidários criaram‐se para dizer: trabalhadores atacados não podem ficar isolados!

Hoje, todos os trabalhadores estão a ser atacados.

Todos os trabalhadores têm, pois, de responder — unidos, não isolados.

Ambas as centrais sindicais já declararam publicamente o seu NÃO ao pacote laboral. Bem!

Declarem agora o seu SIM a organizar a resistência unida de todos os trabalhadores!

Declarem o seu SIM a convocar manifestações e greves conjuntamente!

Declarem o seu SIM a não deixar de lado nenhuma forma de luta, a greve, a organização da GREVE GERAL NACIONAL, contra a uberização, caminho da servidão, para derrotar o pacote laboral deste governo de
aldrabões, parasitas e fautores de guerra!

15 de Setembro de 2025

Convocatória 3º ENCONTRO NACIONAL dos SOLIDÁRIOS: