Gaza: violações do cessar-fogo e continuação do bloqueio assassino

Até 20 de Outubro, mais de cinquenta palestinianos – incluindo muitas crianças – foram mortos pelos bombardeamentos e tiros israelitas que se seguiram à entrada em vigor do «cessar-fogo» incluído no plano Trump.

Apesar dessas violações descaradas do acordo, 500 mil palestinianos exerceram seu direito de retorno, especialmente no norte da Faixa de Gaza, de onde Israel pretendia (e pretende…) expulsá-los definitivamente.

Mas em Gaza, ainda estamos longe de ter um balanço real de dois anos de genocídio e de todas as suas consequências.

A primeira urgência é pôr fim à fome que Israel organizou deliberadamente durante meses, proibindo a entrada de qualquer ajuda. E isso «levará tempo», alertou o Programa Alimentar Mundial (PAM) – organização das Nações Unidas –, apelando à abertura de todos os pontos de passagem, pois, neste momento, apenas cinco estão abertos, quando seriam necessários… 145, segundo o PAM. Mas «ainda estamos longe do objetivo» de poder «inundar Gaza com alimentos». Recorde-se que, nos termos dos acordos de Oslo (1993), todos os acessos à Faixa de Gaza (e à Cisjordânia), por terra, ar e mar, são controlados por Israel, que impôs o seu bloqueio desde 2007. Quanto à reconstrução de Gaza, ela pressupõe, em primeiro lugar, a remoção de quantidades colossais de escombros. O programa de investigação da BBC britânica, BBC Verify, «com base em dados recentes de satélite, sugere que mais de 60 milhões de toneladas de escombros podem estar à espera de serem removidos em Gaza» (18 de Outubro). Enquanto isso, centenas de milhares de famílias sobrevivem em tendas improvisadas, com o inverno a aproximar-se.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) indica que já removeu 81 000 toneladas de escombros, uma gota no oceano de ruínas. Todas as infraestruturas de água, eletricidade, hospitais e escolas precisam de ser reconstruídas. Até mesmo a I24News – pró-Israel – se vê obrigada a reconhecer que «os especialistas alertam que a remoção de minas e a recuperação dos corpos soterrados sob as ruínas levarão anos antes de qualquer reconstrução sustentável». E aumentarão consideravelmente o já assustador número de mais de 67 000 mortos. «Não há comparação moderna com o que precisa ser reconstruído em Gaza», afirma o ex-representante americano para assuntos palestinos ao microfone da ABC News.

Assim como os nomes de Hiroshima e Nagasaki, o de Gaza será para sempre sinónimo dos crimes mais bárbaros do imperialismo.