Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, encontraram-se no dia 29 de Outubro na Coreia do Sul. Concluíram a conversa com um aperto de mão amplamente divulgado nos meios de comunicação social. O presidente americano desfez-se em qualificativos: um encontro «fantástico», um «grande êxito». Acrescentou que Xi Jinping é um «excepcional dirigente dum país muito poderoso».
«As equipas económicas e comerciais da China e dos Estados Unidos mantiveram discussões aprofundadas e chegaram a um consenso sobre soluções para os problemas», declarou, por seu lado, Xi Jinping.
Em que consiste o acordo? Anunciaram-se medidas; as minudências ficaram por finalizar:
– Na negociação comercial, na discussão dos direitos aduaneiros sobre exportações chinesas, os dois governos deram prioridade à circulação do fentanil, droga muito potente, causadora da morte de mais de 100.000 americanos. Repare-se: Trump pode caçar imigrantes ilegais, mas não traficantes de fentanil…
– Os Estados Unidos suspenderiam por um ano os recentes direitos aduaneiros adicionais de 24% que impuseram, enquanto a China suspenderia os seus 24% sobre produtos americanos, pelo mesmo período. A taxa média de direitos aduaneiros sobre produtos chineses que entram nos Estados Unidos continuaria em 47%.
– A China congela por um ano as suas restrições às exportações de terras raras. Em troca, o Ministério do Comércio dos EUA adia a recente regra que visava sancionar filiais de empresas incluídas na lista negra americana: as consideradas uma «ameaça à política externa de Washington». No regresso, Trump confirmou-o, do avião presidencial: «O acordo sobre terras raras ficou fechado e aplica-se a todo o mundo».
– Os preparativos americanos de sanções às indústrias marítimas, logísticas e de construção naval ficam congelados por um ano, assim como as contramedidas tomadas pela China.
Por fim, as negociações parecem ter resultado numa «expansão do comércio de produtos agrícolas», aprazendo a Trump que a China volte a comprar soja aos agricultores americanos.
A página em linha China Economic Review escreve acerca da reunião: «Que aconteceu realmente? Globalmente, não aconteceu grande coisa; as duas partes concordaram simplesmente em fazer marcha-atrás por algum tempo e fingir que esté tudo bem entre elas. Houve concessões em matéria de terras raras e direitos aduaneiros, mas susceptíveis de modificação a qualquer momento.» Pelo seu lado, o director do Asia Society Policy Institute observou que «os presidentes Trump e Xi conseguiram estancar a hemorragia nas suas relações; resta saber se o adesivo se aguentará.»
É que, seja qual for a vontade dos burocratas corruptos de Pequim de fechar uma negociata com o imperialismo americano (e a recíproca vontade deste), os dois sistemas económicos – o assente na propriedade privada dos meios de produção e o assente na propriedade estatal controlada pelo Partido Comunista Chinês – continuam a ser antagónicos.