Faz-se tudo para preparar a economia e os espíritos para a guerra

«Momento 1939»!

«Estamos a viver um momento 1939. (…) Juntam-se os inimigos, intensificam-se as ameaças.» Assim falou, no dia 7 de Novembro, Pete Hegseth, ministro da Guerra de Trump, dirigindo-se aos industriais do armamento e à sua própria administração.

1939 foi o início de uma guerra mundial que faria 60 milhões de mortos e devastaria continentes inteiros. No entanto, na boca do ministro trumpista, é um futuro que se abre: «As centenas de milhares de milhões de dólares gerados anualmente pelas vendas militares ao estrangeiro e pelas vendas comerciais de defesa para os sistemas de armamento fabricados nos Estados Unidos proporcionarão às nossas empresas meios para investir em novas fábricas, contratar engenheiros e abastecer-se de componentes e materiais junto de milhares de sub-empreiteiros e fornecedores.»

Hegseth conhece bem o seu público: «Compreendemos a vossa necessidade, como capitalistas que sois, de conseguir margens e lucros. (…) O Ministério da Guerra apoiará, naturalmente, os lucros. Ou não fôssemos nós capitalistas!»

Hegseth põe, todavia, uma condição: «Temos de (…) estabelecer uma verdadeira parceria (…). Comprometemo-nos a fazer a nossa parte, mas a indústria tem de estar igualmente disposta a investir dos seus próprios fundos.»

Os fabricantes de armamento têm, portanto, de prometer reinvestir uma boa parte dos seus lucros nas suas próprias empresas. Fica, desse modo, mais barato ao Estado o papel da indústria bélica como mola parasitária do capitalismo.

Ganha, pois, contornos a constituição de um complexo militar-industrial baseado numa parceria entre o Estado e empresas privadas sob controlo do Estado. Esta ultramilitarização da economia faz parte de uma visão global: «Estamos determinados a dominar o campo de batalha moderno. Tal domínio começa por uma base industrial em tempo de guerra focada na execução e no sucesso operacional.» Visão global, visão total que tem como alvo, mais do que apenas as personagens presentes, «quem quer que esteja pronto a passar à velocidade de guerra».

Visão total… e mesmo mais: a integração recíproca da indústria e da engrenagem do Estado num complexo militar-industrial sob a égide do Estado sempre foi típica dos regimes totalitários.

Por sorte, querer nem sempre é poder: os trabalhadores e o movimento operário e democrático, nos Estados Unidos e em todo o mundo, ainda não disseram a última palavra. Mas que há perigo, há.

Duas conclusões se impõem. A primeira: lidamos realmente com uma e a mesma guerra imperialista global. Hegseth não se dá ao trabalho de nomear os adversários um por um. Para ele, esmague-se a ferro e fogo quem ouse objectar à pretensão da hidra imperialista de controlar o mundo inteiro.

A segunda conclusão: guerra e capitalismo estão inextricavelmente ligados. Quem não queira que a guerra renasça constantemente do solo da exploração, não tem outra alternativa senão organizar-se para derrubar o capitalismo assente na propriedade privada dos meios de produção.

Daniel Gluckstein, editorial do nº 515 de La Tribune des travailleurs

«Estamos a orientar a nossa base industrial
para um período de guerra»

(Extractos do discurso de Pete Hegseth, ministro da Guerra de Trump, aos responsáveis do exército e aos representantes da indústria de defesa.)

Melhorar a produção de armas em quantidade e eficácia

A guerra, para «assentar as bases de um domínio contínu