Um bilião de dólares, um milhão de milhões, equivalente ao valor produzido pela totalidade da economia portuguesa em três anos e meio: eis a «remuneração» que Elon Musk poderá auferir nos próximos dez anos como CEO da Tesla. Musk já é o homem mais rico do mundo, com uma fortuna de 460 mil milhões de dólares.
Os accionistas da Tesla esperam, bem entendido, que, em troca, a gestão de Musk multiplique por dez o mercado da Tesla e faça aumentar a cotação das suas acções.
No sistema capitalista, a única maneira de o conseguir fazer é agravando consideravelmente as condições de exploração dos operários da Tesla, reduzindo o «custo de trabalho».
Entre as gigantes da tecnologia, a Tesla é conhecida por impor os piores níveis salariais aos seus funcionários. Apenas a Amazon, propriedade de Jeff Bezos, impõe níveis ainda piores. Os accionistas confiam em Musk para levar isso ainda mais longe.
Tal como Trump, que, em Agosto de 2024, se extasiava com as condições de exploração que Musk impõe aos seus funcionários, exclamando: «Eles fazem greve e você diz: muito bem, vai tudo para o olho da rua.» Só que há um limite à exploração: a luta de classes. Musk ficou a conhecê-lo quando, puxado por Trump para chefe do ministério da Eficácia Governamental, teve de enfrentar a resistência dos trabalhadores e das suas organizações sindicais nas agências governamentais que queria desmantelar.
A resistência quotidiana à exploração é uma coisa; mas os trabalhadores têm o direito de reivindicar a expropriação das fortunas de oligarcas como Musk para pôr recursos de tal ordem ao serviço da imensa maioria.