No dia 13 de Novembro último, Pete Hegseth, secretário (ministro) da Guerra de Trump, lançou a operação Southern Spear (Lança Meridional). É o nome de código de todas as operações militares conduzidas pelos Estados Unidos na América do Sul, oficialmente em nome da «luta contra os narcotraficantes». Como Trump não tem parado de acusar os governos venezuelano e colombiano de serem «narcoterroristas», a dita operação equivale a uma declaração de guerra a estes países.
A guerra de facto no mar das Caraíbas já começou. Trump pôs uma verdadeira armada a cruzar ao largo das costas venezuelana e colombiana, à qual recentemente se juntou o USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo. Desde 2 de Setembro, o exército americano procedeu à eliminação de vinte embarcações no mar das Caraíbas. As oitenta vítimas foram apresentadas como «narcos» (traficantes de droga), enquanto fontes colombianas e venezuelanas indicam que os assassinados eram essencialmente pescadores ou migrantes.
Trump já havia tornado pública a autorização dada à CIA para realizar «operações clandestinas» em território venezuelano. Por outras palavras: preparar um golpe de Estado, na longa tradição da política imperialista americana na América Latina. A 28 de Outubro, a agência de notícias americana Associated Press revelou tentativas frustradas de subornar o piloto do presidente venezuelano, Maduro, no propósito de organizar o desvio do avião presidencial.
Por trás da vontade de Trump de ditar a sua lei na América Latina está a vontade do capital financeiro dos Estados Unidos de pôr as mãos nas riquezas que lhe escapam, em particular as maiores reservas mundiais de petróleo, posse da Venezuela, ainda que para isso seja preciso ir para a guerra contra o governo de Maduro. É disso que se trata, não da política de Maduro, a respeito da qual cada um há-de ter a sua própria opinião.
É por isso que os trabalhadores do mundo estão incondicionalmente ao lado dos seus irmãos e irmãs da Venezuela contra qualquer agressão e ingerência de Trump na América Latina.