Palestina: Depois de Gaza, a Cisjordânia?

Importantes manifestações de solidariedade com o povo palestino ocorreram em 29 de Novembro, especialmente nos países imperialistas da Europa, América do Norte e Austrália, cujos governos são cúmplices do genocídio israelita. O dia 29 de Novembro, lembrava o panfleto do Partido dos Trabalhadores distribuído na manifestação em Paris, é a data da «resolução criminosa da ONU de partilha da Palestina de 29 de Novembro de 1947», imposta pelo imperialismo americano com o apoio de Estaline.

Ao mesmo tempo, segundo uma investigação da Radio Canada, «a violência na Cisjordânia atinge níveis recorde» (1 de Dezembro).

«Aldeias saqueadas. Habitantes espancados. Mesquita incendiada. A lista de dramas não para de crescer no território palestino ocupado da Cisjordânia, especialmente nas últimas semanas, a ponto de atingir níveis recorde».

Em Jenin, o exército israelita foi apanhado em flagrante «pelo assassinato de dois palestinianos que pareciam estar a render-se».

A investigação continua: desde Outubro de 2023, «mais de 1000 palestinianos foram mortos por colonos (…). Uma em cada cinco vítimas era uma criança. (…) Infraestruturas hidráulicas destruídas, gado morto, colheitas roubadas: os colonos utilizam inúmeros estratagemas para atacar os recursos e os meios de subsistência dos palestinianos (…). A organização israelita de defesa dos direitos humanos Yesh Din analisou mais de 1600 atos violentos cometidos por colonos na Cisjordânia entre 2005 e 2023. Apenas 3% deles resultaram em condenação, de acordo com essa organização

Porque a colonização, a violência quotidiana contra a população e as tentativas de expulsá-la definitivamente não são da exclusiva responsabilidade dos colonos, mas do próprio Estado de Israel, de acordo com a lógica do sionismo, ou seja, que só há lugar nestes territórios para um Estado exclusivamente «judeu».

É por isso que, concluía o panfleto, «o Partido dos Trabalhadores se pronuncia a favor do direito do povo palestino à terra, à nação. Pronuncia-se a favor do direito ao regresso de todos os refugiados palestinos (…). Apoia as iniciativas que reúnem árabes e judeus que lutam pela única solução democrática: uma única Palestina laica e democrática em todo o seu território histórico!»

Jean Alain, La Tribune des travailleurs nº 518