O pacote laboral do governo Montenegro (“Trabalho XXI”) não visa pôr a relação entre capital e trabalho no “século XXI”; visa retorná-la ao século XIX.
Visa tornar todos precários, baixar os salários, aumentar horários de trabalho, generalizar o trabalho por turnos, uberizar-nos.
Visa proibir o direito à greve e ao sindicato.
E Bruxelas já anunciou querer substituir o sistema de aposentação solidário pela pensão “cada um por si”, destruindo a segurança social.
Derrotar o pacote laboral é, pois, vital.
A importância do embate reconhece-a o próprio Montenegro.
Seriamente assustado, o seu governo tem alternado entre a desinformação e a mentira, seus reflexos naturais, e as ameaças de requisição civil da multimilionária “ministra do trabalho” — sem falar das ridículas elucubrações montenegrinas sobre salários mínimos de mil e quinhentos euros e de melífluas insinuações de possíveis “cedências”, para tentar restabelecer a divisão entre as centrais sindicais.
No dia 11, prevê-se uma adesão maciça do povo trabalhador à greve geral.
Porém, depois do dia 11, vem o dia 12.
Uma coisa é certa: o governo, confiante na sua maioria parlamentar apoiada na aliança com o partido neofascista, só recuará e retirará o anteprojecto de lei se a mobilização continuar.
Tudo eles farão para nos desmobilizar e dividir.
Tudo teremos nós de fazer para continuarmos mobilizados e unidos.
Nos dias seguintes ao dia 11, são necessários plenários em toda a parte, para fazer o balanço da greve, olhar para a resposta do governo e preparar a continuação da luta.
Elejam-se, em cada local de trabalho, delegados de todos os trabalhadores, sindicalizados e não sindicalizados, que formem comités de luta e de greve que, com os sindicatos, centralizem fundos de greve, constituam piquetes e mantenham a prontidão para continuar.
Os dirigentes sindicais, nomeadamente os secretários das centrais sindicais, devem desde já declarar clara e publicamente: se um dia de greve geral não fizer o governo recuar, a greve geral voltará, até vencer!
Dia 11 de Dezembro é um dia para juntar e mostrar a força unida de quem trabalha.
Do dia 12 de Dezembro em diante, caber-nos-á demonstrar que essa força unida é invencível!

Trabalhadores unidos contra o “pacote laboral”:
POR TODO O LADO, EM TODOS OS SECTORES,
ADESÃO À GREVE GERAL
Dezenas de sindicatos e organizações de trabalhadores, de todos os sectores, anunciaram a sua adesão. Aqui enumeramos alguns:
Transportes
Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) – tripulantes de cabine da TAP, SATA ou Easyjet, Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SITAVA) – pessoal de terra da TAP e trabalhadores do handling da Menzies, Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) – Comboios de Portugal, Fertagus, Metro de Lisboa e Metro do Porto, Simmper – Sindicato Independente de Motoristas de Matérias Perigosas.
Escolas e Hospitais
Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Federação Nacional dos Médicos (FNAM), SITEU – Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos, S.TO.P – Sindicato de Todos os Profissionais da Educação.
Administração Pública
Sindicatos da Administração Pública (FESAP) — que reúne 45 organizações sindicais em todas as áreas da Administração do Estado, Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL).
Banca e Seguros
Sindicato dos Trabalhadores do Sector Financeiro de Portugal (SNB), Mais Sindicato, Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD, Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora.
Indústria Automóvel
Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram por unanimidade a adesão à greve geral, STASA – Sindicato dos Trabalhadores do Sector Automóvel.
Telecomunicações
Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice, os trabalhadores da Rhmais e da Randstad (prestadoras de serviços à Vodafone).
Serviços
CESP (Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal).
STGSSP (Sindicato dos Trabalhadores das Grandes Superfícies, Armazéns e Serviços de Portugal.
Indústria Alimentar
STIAC – Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar, Bebidas, Agricultura, Aquicultura e Serviços
Energia
Grupo REN acordou com vários sindicatos a realização de serviços mínimos no dia 11 de Dezembro, mantendo os níveis de actividade semelhantes aos do fim de semana e feriados.
Cultura
Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos.
Segurança pública
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia anunciou uma concentração junto à residência do primeiro-ministro no dia da greve geral.
Movimentos Colectivos e Associativos
O Movimento Vida Justa que anunciou que 113 movimentos, colectivos e associações de todo o país apoiam a greve geral.