Alemanha: depois da greve dos estudantes do secundário de 5 de Dezembro, “não alinharemos no vosso serviço militar”

Façam as vossas guerras sem nós!“, lia-se no cartaz escrito à mão por uma estudante liceal em Düsseldorf, no dia 5 de Dezembro. Com toda a razão! Esta guerra não é dos jovens, que não querem andar a matar jovens de outros países para servir os interesses dos fabricantes de armas e do imperialismo alemão.

Assim, em mais de 90 cidades, estudantes e jovens manifestaram o seu protesto contra a decisão do governo de Merz. Enquanto eles se manifestavam nas ruas, a maioria CDU-CSU (partidos burgueses) e SPD (Partido Social-Democrata) aprovava no Bundestag a “Lei de Modernização do Serviço Militar”. A AfD (extrema-direita) e os Verdes votaram contra porque, segundo a AfD, “soldados que se alistam apenas por causa do salário não têm base sólida para servir. (…) A contraproposta é de um soldado que serve por convicção. O soldado alemão que sabe porque luta, que traz dentro de si esse laço interior – de defensor nato do seu país, da comunidade alemã.” Os Verdes, por seu lado, rejeitam a lei por só dizer respeito aos jovens do sexo masculino e não a “todas as gerações e todos os géneros”. Durante a apresentação do projecto de lei, o Ministro da Defesa, Pistorius, do SPD, declarou que “os estudantes estão em greve e protestam. Acho isso fantástico”, antes de esclarecer, na frase seguinte, que “nós é que somos o Parlamento”. Pistorius quer um exército de 460 mil soldados “no activo” e na reserva, em consonância com as directrizes da NATO.

Primeiros comités de greve

Juntou-se às manifestações, apoiando os jovens, muita gente de mais idade. Em todo o lado, de Munique a Hamburgo, de Berlim a Düsseldorf, os estudantes gostaram: “É óptimo vocês, os mais velhos, apoiarem-nos!” Em muitas cidades, participaram professores filiados no sindicato GEW, por vezes com as suas turmas. O GEW de Berlim apelara a participar mas manifestações. É um facto que a questão não se reduz aos jovens, hoje destinados a servir de carne para canhão, aliás, antes das manifestações, fortemente intimidados e ameaçados de irradiação, etc., ou difamados com o labéu de “preguiçosos” na comunicação social. Mas não: compete realmente à juventude lutar, ao lado dos trabalhadores, a nível internacional e além-fronteiras, pela revogação dos projectos de “serviço militar obrigatório” dos governos.

Em muitas cidades, a mobilização pareceu espontânea e desorganizada. Assistimos realmente ao início de uma nova mobilização da juventude em defesa dos seus interesses vitais. “Não vamos parar com a greve!” Por isso se formaram comités de greve em muitas outras cidades. Os jovens começam a criar os seus próprios órgãos de luta pela revogação da “Lei do Serviço Militar Obrigatório”.

Em Düsseldorf, os estudantes receberam com entusiasmo o panfleto do “Comité por um Partido dos Trabalhadores”, muito em especial as saudações enviadas pelos jovens franceses no dia 29 de Novembro.

H.-W. Schuster