A direita e a extrema-direita estão a levantar a cabeça, manifestando nas ruas o seu ódio à classe trabalhadora e à democracia.
O problema não é novo. À morte de Franco, há cinquenta anos, o Partido Comunista e o Partido Socialista negociaram a transição “democrática”. Assinando os Pactos da Moncloa (Outubro de 1977), concordaram em deixar praticamente intacto o aparelho de Estado herdado da ditadura. Colhemos hoje as ervas daninhas da semente que eles espargiram.
O governo PSOE-Sumar (1), em vez de se apoiar na classe operária, entrega-se à União Europeia, à NATO, à Guarda Civil e ao exército. Está a desmantelar os nossos direitos arduamente conquistados e nega-se a revogar as leis dos governos anteriores, como a “lei mordaça” (2). Tão-pouco revogou a lei franquista de Abril de 1968 do “segredo de Estado”, que permite que fiquem impunes inúmeros crimes cometidos pelas “forças da ordem”, como o assassinato de Mikel Zabalza (3) há quarenta anos.
Ora a única coisa que pode travar a direita e a extrema-direita é a mobilização dos trabalhadores em defesa dos seus direitos e a perspectiva de um governo que rompa com as instituições franquistas, com a Constituição e com a monarquia. Um governo que vá ao encontro das reivindicações: defesa do poder de compra, proibição dos despedimentos, habitação acessível, hospitais e escolas de qualidade, protecção do ambiente e direito dos povos à autodeterminação.
Um governo que abra caminho às assembleias constituintes e à República: à República Catalã, à República Basca, etc., e à união livre de repúblicas livres de Espanha.
Excertos de La Internacional – Hoja de información,
boletim do Comité de Ligação Trotskista do Estado Espanhol, 29 de Novembro de 2025
(1) O governo liderado por Pedro Sánchez é uma aliança do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e do Sumar, o movimento da Ministra do Trabalho, Yolanda Díaz (membro do Partido Comunista Espanhol).
(2) Lei de 2015 que restringe drasticamente as liberdades democráticas e o direito à greve.
(3) Motorista de autocarro de 33 anos, sequestrado, torturado e assassinado pela Guarda Civil (o corpo de guarda nacional) no País Basco, em 1985, em nome da pretensa “luta contra o terrorismo”.