Relato de Tareq S. Hajjaj, correspondente em Gaza do órgão de comunicação social norte-americano Mondoweiss e membro da União de Escritores Palestinianos, no dia 5 de Dezembro: “Passaram quase dois meses desde o cessar-fogo em Gaza. Os dois milhões de palestinianos sitiados na Faixa de Gaza tinham grandes esperanças”. Porém, “a esperança de voltar a algo que se pareça com a vida pré-guerra dissipou-se na realidade de um ‘novo genocídio’”.
A jornalista Ruwaida Amer, de Khan Younis, referiu ao órgão de comunicação social judeo-árabe +972: “Desde que foi instaurado em Gaza o ilusório cessar-fogo, a vida dos palestinianos da Faixa de Gaza passou a ser ditada por uma linha imaginária traçada pelo exército israelita. Atravessar esta “linha amarela”, que assinala a fronteira, fixada pela ocupação israelita, das zonas etnicamente limpas, que abrangem mais de metade de Gaza, equivale a uma sentença de morte — mesmo para crianças a apanhar lenha” (5 de Dezembro).

De acordo com o chamado “plano de paz” (aprovado pela ONU a 17 de Novembro) que coloca Gaza sob o controlo directo de Trump, esta linha amarela serviria simplesmente para marcar a linha de cessar-fogo. Ora, o chefe do Estado-Maior do Exército israelita, Eyal Zamir, acaba de a qualificar de “nova fronteira”.
A Faixa de Gaza era, já antes de 2023, um dos territórios mais densamente povoados do mundo. Hoje, um lado da “linha amarela”, ou seja, metade dos seus 365 quilómetros quadrados esvaziados por massacres e deslocações forçadas da população, está sob o controlo do exército israelita. Na outra metade, amontoam-se dois milhões de palestinianos famintos, que, à mercê do rigoroso Inverno, sobrevivem nas ruínas.
Não nos alertou há oito meses o jornalista e activista israelita Meron Rapoport que “o novo projecto de Israel para Gaza tem nome: campo de concentração. Incapaz de expulsar imediatamente e em massa os habitantes de Gaza, Israel parece determinado a obrigá-los a viver numa área confinada, deixando à fome e ao desespero o cuidado de tratar do resto” (+972, 1 de Abril de 2025)?
O comentador geopolítico da cadeia France Inter, 9 de Dezembro), considerou que a situação em Gaza representa, “para os palestinianos, uma nova partição do território ”. E é isso mesmo que ela é. É uma nova etapa da partição começada no dia 29 de Novembro de 1947, na ONU, quando o imperialismo americano, com a ajuda da burocracia estalinista, impôs a partição da Palestina, portanto, a sua divisão artificial entre um Estado “judeu” (seis meses depois, “Israel”) e um Estado “árabe”, que nunca viu a luz do dia.
A única alternativa à partição — e ao seu cortejo de apartheid, genocídio e expulsão — é a solução democrática: um Estado uno, laico e democrático em todo o território da Palestina histórica.