Chile

Como se chegou aqui?

Neofascista Kast vence eleições presidenciais

Conseguindo 7,2 milhões de votos (58,2%), José Antonio Kast venceu as eleições presidenciais contra Jeannette Jara (5,2 milhões de votos), militante do Partido Comunista e ex-ministra do presidente cessante, Gabriel Boric.

Kast é um defensor da ditadura militar de Pinochet (1973-1990), a maior tragédia da classe trabalhadora e do povo chileno. Defende um programa ultra-reaccionário: expulsar 336 mil imigrantes indocumentados e cortar 6 mil milhões de dólares nas despesas públicas.

Como se chegou aqui?

Em Outubro de 2019, os alunos do ensino secundário de Santiago, recusando-se a aceitar o aumento das tarifas dos transportes públicos para 30 pesos, provocaram um levantamento operário revolucionário ao grito de “No son 30 pesos, son 30 años” (“Não são 30 pesos, são 30 anos”).

Trinta anos em que variantes governamentais de partidos de direita e de “esquerda” (PS e PC) preservaram o legado da ditadura: a Constituição de 1980, a subordinação ao FMI, a polícia militar e as “reformas económicas” de Pinochet. Designadamente os fundos de pensões, que reduziram milhões de reformados à pobreza.

No entanto, depois de 2019, nem a eleição de Gabriel Boric como presidente em 2022 (apoiada pela coligação Apruebo Dignidad e pelo Partido Comunista) nem a pseudo-Assembleia Constituinte, desprovida de qualquer soberania, trouxeram a tão esperada mudança. O balanço de Boric é a impunidade das seguradoras privadas, uma “reforma das pensões” que reforçou os fundos de pensões e inúmeras leis repressivas que reforçaram a extrema-direita no aparelho de Estado… Ao reivindicar este legado como seu, só ficou a J. Jara o apelo desesperado: “Ou democracia ou fascismo.”

Embora Kast tenha ganho as eleições presidenciais no quadro institucional “pinochetista”, que a “esquerda” se recusou a desmantelar, a crise política nem por isso ficou resolvida. Kast detém uma minoria no Parlamento. E, apesar das políticas dos seus dirigentes, a classe operária chilena não sofreu uma derrota (como ocorreu com o golpe de Pinochet, em Setembro de 1973). No período mais próximo, ela far-se-á certamente ouvir no terreno da luta de classes.

Jean Alain