Em Gaza, morre-se de frio
Em Gaza, onde dois milhões de palestinianos estão confinados a 50% do território pelo exército israelita, com a cumplicidade de todos os governos, morre-se de frio, denuncia Tareq S. Hajjaj, membro do Writers’ Syndicate e correspondente em Gaza para o meio de comunicação social norte-americano Mondoweiss:
“As autoridades locais relatam que a intensa vaga de frio que atingiu a Faixa de Gaza na quinta-feira, 11 de Dezembro, causou treze mortes até à tarde de sexta-feira. Acompanhada de fortes chuvas, que causaram inundações significativas nos acampamentos de deslocados, a tempestade levou provocou o colapso de edifícios parcialmente destruídos onde os palestinianos se refugiavam. Segundo o gabinete de imprensa do governo em Gaza, a tempestade inundou mais de 27.000 tendas, arrastadas por cheias repentinas ou arrancadas por ventos fortes.” (…) “A ocupação israelita continua a fechar pontos de passagem e a impedir a entrada de ajuda humanitária e de mantimentos que poderiam fornecer abrigo”, afirmou o Gabinete de Imprensa num comunicado divulgado a 12 de Dezembro. (…) Segundo o gabinete de imprensa do Governo, em Gaza, aproximadamente 1,5 milhões de palestinianos vivem em tendas degradadas que oferecem pouca protecção contra as vagas de frio, tempestades e intempéries”.
Cisjordânia: Crónica da Violência Diária
Owais Hammam, de 18 anos, é um sobrevivente. A 10 de Dezembro, foi raptado e torturado por um grupo de colonos israelitas perto da sua aldeia, Kharbatha Bani Harith, a noroeste de Ramallah. No meio de comunicação judaico-árabe +972, o jornalista Faiz Abu Rmeleh relata o seu sofrimento… uma amostra do que três milhões de palestinianos na Cisjordânia enfrentam diariamente.
“Hammam recorda aquelas horas como se se estivessem a repetir: mãos amarradas atrás das costas, coronhadas de espingardas por todo o corpo, aspedras atiradas sobre ele enquanto jazia no chão, insultos incessantes. Alguns dos seus agressores vestiam roupas civis, outros, uniformes militares. Um deles carregou-lhe a arma junto à orelha e disse-lhe que não sobreviveria. Hammam perdeu rapidamente os sentidos devido às dores e, quando acordou, viu-se nos braços de soldados israelitas, que continuaram a espancá-lo até ao dia seguinte.” Foi interrogado por um oficial do Shin Bet (segurança interna), que até um gole de água lhe negou. (…) O ataque a Owais não é um incidente isolado. Ocorre no meio de um aumento sem precedentes do terrorismo dos colonos na Cisjordânia, onde ataques quase diários — muitas vezes realizados com o apoio do exército israelita — são parte de um esforço sistemático para alterar a demografia da região em favor dos colonatos judaicos. Desde o início da guerra em Gaza que os palestinianos na Cisjordânia vivem em constante medo: o medo do próximo ataque, da próxima ameaça, da próxima vítima.”