Não há dia que passe sem nova provocação da administração Trump.
A 10 de Dezembro, um petroleiro venezuelano foi invadido pela Guarda Costeira, pelos Fuzileiros e pelas Forças Especiais dos EUA*, de armas em punho. A Venezuela denunciou o “roubo” de um milhão de barris do seu petróleo, pertencentes à empresa estatal PDVSA.
A 12 de Dezembro, com a quantidade de caças, bombardeiros e drones militares norte-americanos que sobrevoavam o espaço aéreo venezuelano, evitou-se por pouco um desastre. Um caça da Força Aérea dos EUA quase colidiu com um avião comercial da JetBlue.
A 12 de Dezembro, na CNN, Trump anunciou uma nova fase iminente da sua agressão militar: depois do ar e do mar, “agora vamos começar por terra”. Tudo isto, segundo Trump, em nome do combate a uma “ditadura” de “narcoterroristas”.
A invasão imperialista da Venezuela que Trump prepara nada tem a ver com combate à droga ou com “democracia”. A imprensa reconhece-o: “A estratégia da Casa Branca contra o narcotráfico é uma teia de incoerências, desde visar um país que não produz fentanil até reduzir o tamanho da DEA, a polícia anti-droga” (Libération, 14 de Dezembro).
Assinalando que “Trump procura subjugar a Venezuela e o sub-continente americano”, o jornal Les Échos (14 de Dezembro) sublinha que, falando em “ditadores”, “o ditador de El Salvador é um aliado” de Washington.
O objectivo, portanto, não são nem drogas nem a democracia. O objectivo é instalar um governo fantoche em Caracas que abra de par em par a Venezuela — e as suas vastas reservas de petróleo — ao capital financeiro dos EUA.
Isso mesmo resumira perfeitamente Maria Corina Machado, vencedora do Prémio Nobel da Paz e chefe do partido pró-Trump na Venezuela. A 5 de Novembro, perante uma plateia de capitalistas norte-americanos reunidos em Miami, Florida, o Fórum Empresarial Americano, prometeu: “Abriremos a Venezuela ao investimento estrangeiro. Estou a falar de uma oportunidade de 1,7 biliões de dólares, não só em petróleo e gás (…), mas também em minérios, ouro, infra-estruturas, electricidade (…), tecnologia, IA, turismo… (…) Abriremos os mercados, garantiremos segurança aos investidores estrangeiros; espera-vos um programa de privatização massivo e transparente!”
Agora, o conselheiro de Segurança Interna dos Estados Unidos, Stephen Miller, aliado próximo de Trump, sugeriu que o petróleo da Venezuela “pertence a Washington“. Os comentários de Miller surgiram na quarta-feira, 17 de Dezembro, um dia depois de o presidente ter publicado nas redes sociais que está a impor um “bloqueio total e completo” aos petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela.
E, para que não restassem dúvidas, no dia 18 de Dezembro, em declarações aos jornalistas na Base Aérea Conjunta de Andrews, Trump disse: “Tiraram-nos o petróleo porque tínhamos um presidente que se calhar não ligou nenhuma. Mas não vão voltar a fazê-lo (…) Queremos recuperá-lo”, acrescentou. “Tiraram-nos os nossos direitos de exploração de petróleo — tínhamos lá muito petróleo. Como sabem, expulsaram as nossas empresas; agora queremos recuperá-lo.”
Os EUA acumularam perto da costa da Venezuela a maior força militar vista na região há décadas e realizaram vários ataques a barcos que, segundo eles, traficavam droga. Mataram cerca de 90 pessoas desde Setembro. No entanto, a administração Trump não apresentou indícios de tráfico de droga, e veio agora confirmar que no que está mais interessada é em controlar o petróleo na região e forçar uma mudança de regime na Venezuela.
Não toquem na Venezuela! Retirada das tropas americanas!
* Um acto de pirataria longe de ser caso isolado: o Wall Street Journal (12 de Dezembro) revelou que, em Novembro, as forças especiais norte-americanas interceptaram um navio cargueiro que viajava da China para o Irão, acusado de transportar “tecnologia militar de dupla utilização”.
Comunicado do CORQI
(Comité de Organização pela Reconstituição da IVª Internacional)
Não toquem na Venezuela!
Alerta do Comité de Organização pela Reconstituição da IVª Internacional (CORQI) a todas e a todos: nos próximos dias, talvez nas próximas horas, Trump ameaça dar mais um passo na agressão imperialista contra o povo da Venezuela, lançando uma intervenção terrestre.
Faz três meses que Trump mobilizou 4500 fuzileiros e toda uma armada para patrulharem ao largo da
costa venezuelana, atacando a sua aviação semanalmente embarcações venezuelanas e colombianas,
com já cerca de uma centena de mortes.
Trump anuncia agora na CNN um ataque terrestre iminente.
Para o CORQI, a urgência é esta: que os trabalhadores e povos do mundo se ergam ao lado do povo
da Venezuela contra a agressão imperialista. Que, para tal, todas as organizações operárias e anti-
imperialistas unam forças.
Fazendo-o em total independência do regime de Maduro, a respeito do qual cada um tem o ponto de vista que entender.
O CORQI rejeita com desprezo os supostos pretextos apresentados pelo imperialismo norte-americano
para justificar a sua intervenção.
«Luta contra a droga»? Quando é o imperialismo americano que, há décadas, utiliza os cartéis, a
economia da droga e a própria droga para os seus próprios fins: liquidar o movimento de libertação dos
negros na América; enviar centenas de milhares de jovens americanos para o massacre na guerra do
Vietname; financiar a sua guerra contra-revolucionária na Nicarágua; «salvar os bancos» durante a crise
financeira de 2008…!
«Luta pela democracia»? Que brincadeira é esta, quando Trump todos os dias tenta impor uma ordem
totalitária, nos Estados Unidos e no mundo?! Trump, que apoia os regimes de Bukele (El Salvador), Milei
(Argentina), Kast (Chile) e o governo fantoche que oprime o povo do Haiti? Trump, que financia e incentiva os crimes genocidas de Netanyahu contra o povo palestiniano?!
«Luta pela paz»? Quando Trump acaba de conseguir aprovar – com a ajuda do Partido Democrático – um orçamento de guerra de 900 mil milhões de dólares, para engordar ainda mais o complexo militar-
industrial e preparar novas guerras contra os povos, indissociáveis da guerra que trava contra os
trabalhadores nos Estados Unidos?!
Comentando a escalada no mar das Caraíbas, a imprensa internacional multiplica referências à «Doutrina Monroe», que decretou as Américas «quintal» dos Estados Unidos, onde estes se podem
arrogar todos os direitos. E é disso mesmo que se trata. Quem será o próximo da lista? O México? O
Brasil? Na agressão contra a Venezuela encerra-se uma ameaça a todos os povos do continente e do
mundo inteiro.
Ora, a única e verdadeira razão da agressão imperialista foi dada pela protegida de Trump, a «prémio
Nobel da Guerra» venezuelana, Maria Machado, ante o American Business Forum, em Miami (Florida) a 5 de novembro: «Vamos abrir a Venezuela aos investimentos estrangeiros. (…) não só no petróleo e no gás (…) mas também no sector mineiro, no ouro, nas infra-estruturas, na electricidade (…) Garantiremos a segurança dos investidores estrangeiros e um programa de privatização massivo e transparente, que está à vossa espera!»
O CORQI condena a agressão imperialista contra a Venezuela encabeçada pela administração Trump
com a cumplicidade da maioria dos governos ocidentais.
Convida urgentemente as organizações nele filiadas e as simpatizantes a tomarem iniciativas para forjar
a mais ampla frente única em cada país – em particular, nos Estados Unidos e nos países ocidentais –
pelas palavras de ordem:
Trump que não toque na Venezuela!
O petróleo venezuelano pertence ao povo da Venezuela!
Abaixo a intervenção imperialista!
Comité de Organização pela Reconstituição da IVª Internacional (CORQI)19 de Dezembro de 2025