Estados Unidos

No dia 10 de Dezembro, deputados democratas e deputados republicanos à Câmara dos Representantes aprovaram, em votação bipartidária (ler aqui), um orçamento militar de 900 mil milhões de dólares (quase 770 mil milhões de euros) para 2026. O projecto também deve ser aprovado no Senado.

A lei inclui um plano de ajuda militar à Ucrânia no valor de 400 milhões de dólares, bem como grandes investimentos preparatórios de uma guerra contra a China, deles constando aumentar o “financiamento de novas tecnologias necessárias para dissuadir a China”, afectando-se “2.700 milhões de dólares a projectos críticos de construção militar e expansão na região” e “uma verba adicional de 1.500 milhões de dólares para assistência adicional à segurança das Filipinas” (Military News, 11 de Dezembro). Parte da lei é dedicada ao financiamento de tropas da Guarda Nacional para patrulhar a fronteira dos EUA com o México.

A crise entre os republicanos reflectiu-se na votação: dezoito deputados votaram contra, nomeadamente por causa da ajuda militar à Ucrânia. Entre eles, Marjorie Taylor Greene, uma ex-fiel a Trump, declarou que “gostaria muito de financiar o nosso exército, mas recuso-me a apoiar ajuda externa, exércitos estrangeiros e guerras estrangeiras”. A lei de Trump conseguiu-se, não obstante, salvar graças ao amplo apoio dos deputados democratas (115 votaram a favor, 94 contra). Adam Smith, deputado democrata do estado de Washington, disse que a lei “contém elementos que quase todos os membros do Congresso podem tanto amar como odiar, mas que, no geral, são muito positivos para a segurança nacional”, referindo ter feito concessões “no propósito de levar adiante o projecto de lei para as tropas americanas“.

Embora os deputados democratas filiados nos Socialistas Democráticos da América (DSA, a “esquerda” do Partido Democrático) não tenham votado a favor, não se pode ignorar que os DSA, que fazem discursos contra a guerra, nem por isso têm escrúpulos em se manterem membros do partido cuja direcção salvou o orçamento militar de Trump.

Posição que vão ter de justificar aos trabalhadores, aos jovens e aos sindicalistas que, em número crescente, têm exigido, com toda a razão, “dinheiro para salários, habitação e saúde, não para a guerra!”.

Nelly Mary