Esta madrugada Trump lançou um ataque aéreo e terrestre contra a Venezuela. Terá, aparentemente, raptado Maduro.
Agressão imperialista
contra o povo da Venezuela.
É urgente que os trabalhadores e povos do mundo se ergam ao lado do povo da Venezuela contra a agressão imperialista. Que, para tal, todas as organizações operárias e anti-imperialistas unam forças.
Cada um tem o ponto de vista que entender sobre o regime de Maduro, mas é forçoso rejeitar com desprezo os pretextos do imperialismo norte-americano para justificar a sua intervenção.
Condenamos a agressão imperialista contra a Venezuela encabeçada pela administração Trump com a cumplicidade da maioria dos governos ocidentais.
A imprensa nacional e internacional tem-se multiplicado em referências à ressurreição por Trump da «Doutrina Monroe», que decreta as Américas «quintal» dos Estados Unidos, onde estes se arrogam todos os direitos. É disso mesmo que se trata. Quem será o próximo da lista? O México? O Brasil? Na agressão contra a Venezuela encerra-se uma ameaça a todos os povos do continente — e do mundo inteiro.
A única e verdadeira razão da agressão imperialista (ver mais aqui) foi dada pela protegida de Trump, a «prémio Nobel da Guerra» venezuelana, Maria Machado, ante o American Business Forum, em Miami (Florida) a 5 de Novembro: «Vamos abrir a Venezuela aos investimentos estrangeiros. (…) não só no petróleo e no gás (…) mas também no sector mineiro, no ouro, nas infra-estruturas, na electricidade (…) Garantiremos a segurança dos investidores estrangeiros e um programa de privatização massivo e transparente, que está à vossa espera!».
Todas as organizações que se reivindicam defensoras dos interesses dos trabalhadores devem unir-se na exigência de que os seus governos condenem a agressão imperialista contra a Venezuela.
São necessárias iniciativas para forjar a mais ampla frente única em cada país – em particular, nos Estados Unidos e nos países ocidentais – pelas palavras de ordem:
Trump fora da Venezuela!
O petróleo venezuelano pertence ao povo da Venezuela!
Abaixo a intervenção imperialista!
Declaração do CORQI
(Comité de Organização pela Reconstituição da IVª Internacional)
Abaixo a agressão imperialista de Trump contra a Venezuela!
Na noite de 2 para 3 de Janeiro, a aviação americana bombardeou a Venezuela. Trump anunciou ter sequestrado o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a sua esposa.
O Comité de Organização pela Reconstituição da IVª Internacional (CORQI) denuncia esta agressão imperialista contra uma nação soberana, que vem na continuidade do destacamento de uma armada norte-americana para o largo da Venezuela desde Setembro de 2025, dos bombardeamentos de embarcações venezuelanas e colombianas no mar das Caraíbas e da ordem dada pela administração Trump à CIA para proceder a «operações clandestinas» no território da Venezuela.
O CORQI exige o fim dos bombardeamentos e a libertação de Nicolas Maduro e dos seus. Rejeita com desprezo os pretextos com que Trump pretende justificá-los. É evidente que o que motiva a administração Trump não é a «guerra contra a droga» nem a «luta pela democracia».
A principal motivação da administração Trump – a mesma que está por trás da guerra na Ucrânia, do genocídio em Gaza, da guerra de pilhagem na República Democrática do Congo, da guerra comercial contra todos os países, especialmente a China, e da guerra contra os direitos democráticos e sociais dos trabalhadores nos Estados Unidos – é fazer reinar, por todos os meios, a ditadura do capital financeiro de Wall Street.
No que diz respeito à Venezuela, a principal motivação da administração americana foi dada a 5 de Novembro pela sua protegida, a «Nobel da Guerra» venezuelana, Maria Machado, perante o American Business Forum em Miami (Florida): «Abriremos a Venezuela ao investimento estrangeiro. (…) não apenas no petróleo e no gás (…) mas também em minérios, ouro, infra-estruturas, electricidade (…) garantiremos segurança aos investidores estrangeiros e um programa de privatização massivo e transparente!»
O genocídio em Gaza foi um aviso aos povos de todo o mundo. O rapto de Maduro é um aviso do que espera qualquer político que não se alinhe pelas exigências do imperialismo americano.
Há outra motivação, que é necessário que os trabalhadores conheçam. Da mesma forma que os governos europeus membros da NATO agitam há meses o espantalho da «ameaça externa» para conseguir um amplo consenso a favor da militarização, Trump precisa da guerra. Atolado no escândalo Epstein, com a sua política a provocar o afundamento do nível de vida dos trabalhadores, Trump precisa da união nacional à sua volta. Há meses que conta com o apoio do Partido Democrático, cujos dirigentes – incluindo a maioria dos dirigentes da sua «ala esquerda» – têm dado cobertura á sua escalada bélica.
Mas nem nos Estados Unidos nem em qualquer outra parte do mundo têm os trabalhadores e suas organizações o menor interesse em apoiar esta guerra imperialista de pilhagem da Venezuela. Ela apenas reforçará a guerra interna” dos governos capitalistas contra a classe trabalhadora e contra as liberdades democráticas.
A solução não virá nem dos governos capitalistas, nem da ONU, que há um mês legitimou o vergonhoso «plano de paz» de Trump em Gaza. A solução virá da mobilização dos trabalhadores e dos povos do mundo, solidários com o povo venezuelano.
Independentemente do ponto de vista de cada um sobre o governo Maduro, é necessária a mais ampla unidade para impor o fim da intervenção imperialista, a retirada das tropas americanas, a libertação de Maduro e da sua esposa, a recusa de qualquer intervenção terrestre, a recusa da pilhagem dos recursos que pertencem ao povo da Venezuela.
Para os partidários da reconstituição da IVª Internacional, este novo passo em direcção a uma guerra imperialista generalizada confirma a actualidade das palavras de Lenin: «Se o socialismo não triunfar, a paz entre os Estados capitalistas será apenas um armistício, uma trégua, a preparação de um novo massacre entre os povos. Paz e pão – tais são as principais reivindicações dos trabalhadores e dos explorados… Paz e pão, o derrube da burguesia, os métodos revolucionários para curar as chagas da guerra, a vitória total do socialismo – tais são os objectivos da luta.» (14 de dezembro de 1917).
As organizações filiadas no CORQI participarão, com as seguintes palavras de ordem, em manifestações unitárias por iniciativa de organizações operárias e democráticas:— Fim imediato da agressão imperialista de Trump contra a Venezuela!
— Retirada das tropas americanas, fim dos bombardeamentos!
— Libertação de Nicolas Maduro e de sua esposa!
— De Gaza à Venezuela, da Ucrânia à RDC: abaixo a guerra, abaixo a exploração, abaixo o imperialismo!3 de Janeiro de 2026