Netanyahu, os Emirados, a Somalilândia e o Iémen…

26 de Dezembro: Netanyahu-o-genocida anuncia que o Estado de Israel reconhece oficialmente a «Somalilândia», região separatista do Norte da Somália (Ler caixa abaixo), e promete meios de financiamento, militares e tecnológicos.

30 de dezembro, no sul do Iémen: a aviação saudita bombardeia as carregamentos de armas dos Emirados Árabes Unidos, com destino às milícias iemenitas que acbam de tomar o controlo do sul do país, na fronteira da Arábia Saudita.

Dois acontecimentos aparentemente sem ligação, que revelaram um mesmo processo de desestabilização de uma vasta região adjacente à Península Árabe no Corno de África.

Uma desestabilização que não se enquadra necessariamente nos os planos da administração Trump. A sua diplomacia indicou não ter «nenhum anúncio sobre o reconhecimento pelos Estados-Unidos da Somalilândia». E se os Estados-Unidos têm uma forte presença nos Emirados, Trump voltou a mostar recentemente que a monarquia saudita continuava a beneficiar dos seus favores.

Mas o Estado sionista e os Emirados, ambos vassalos dos Estados-Unidos, decidiram colocar os seus próprios interesses á frente dos de Washington aproveitando o caos geral.

Os Emirados, assim como a Arábia Saudita e o Catar, sentados numa montanha de petrodólares, aspiram a desempenhar um papel regional sempre mais importante, como o demonstra a sua implicação na sangrenta guerra no Sudão. No Iémen, em 2015, os Emirados e os sauditas uniram as suas forças na intervenção que devastou o país contra as milícias rebeldes aliadas do Irão. Mas o genocídio em Gaza mudou tudo. Enquanto os Sauditas baixavam o tom da sua intervenção – para não aparecerem à luz do dia como servos de Netanyahu –, os Emirados não foram tão reservados: colaboram com Israel há anos. E eis que as milícias iemenitas que financiam ameaçam as fronteiras da monarquia saudita. Esta última, fortalecida pelo apoio de Trump, foi hesitou em bombardear os seus antigos aliados.

Manchado para sempre pelo genocídio em Gaza, Netanyahu não dispõem de outra escolha senão a fuga belicista para a frente para salvar o Estado sionista… e também para se salvar a si próprio. Pois continua sob a ameaça de ser preso por corrupção se perder o cargo de primeiro-ministro. Reconhecendo a Somalilândia para aí se implantar, ofereceu a Israel um acesso às portas do mar Vermelho. E no Iémen, a partir de onde as milícias houthies mostraram que são capazes de enviar mísseis contra Telavive. Os dirigentes israelitas não escondem que procuram, há meses, un território em África para onde deportador todos ou parte dos dois milhões de palestinianos de Gaza. Para fazer reinar a «ordem» imperialista, ou seja a ditadura dos financeiros de Wall Street no mundo, a classe capitalista dos Estados-Unidos apoia-se nos seus intermediários, nos seus vassalos e nas suas «criaturas». Mas acontece que os interesses destes não cincidem exactamente com os do seu seu senhor. Em todos os casos, como demonstram os massacres em Gaza, no Iémen, na Somália e no Sudão, são os povos que pagam o preço em sangue.

O Imperialismo e a Desintegração da Somália

1991: O imperialismo americano abandona o seu protegido, o ditador somali Siad Barre. É deposto por uma coligação de grupos armados apoiados pelas estruturas tribais do país.
1992: Sob mandato da ONU, 25.000 soldados americanos e 2.500 franceses desembarcam em Mogadíscio. Encobrindo vergonhosamente esta alegada “intervenção humanitária”, Bernard Kouchner, um ministro “de esquerda”, é fotografado com um dos sacos de arroz recolhidos junto de crianças nas escolas de toda a França pendurado ao ombro. No caos que se segue, um dos grupos armados proclama a independência da “Somalilândia”, a porção do território somali colonizada pelo imperialismo britânico em 1888 (a outra parte da Somália tinha sido colonizada, com a mesma brutalidade, pelo imperialismo italiano). Durante trinta e cinco anos, a Somália e a Somalilândia estiveram à mercê de senhores da guerra que vivem de todo o tipo de tráficos, de acordo com as suas alianças com potências regionais. Trinta anos de guerra e fome na Somália fizeram meio milhão de mortos.