Gaza: Deixem entrar a ajuda humanitária!

O frio, a chuva incessante, as rajadas de vento que destroem as tendas improvisadas e inundadas… e sempre a fome. Esta é a realidade diária de mais de dois milhões de sobreviventes palestinianos, confinados pelo exército israelita a 50% da área original da Faixa de Gaza.

Quem se atreverá a dizer que o genocídio parou? Sobretudo agora que o Estado de Israel acaba de notificar trinta e sete organizações humanitárias de que estão proibidas de entrar na Faixa de Gaza, que se recusaram, “por razões de segurança“, a fornecer a lista dos seus funcionários, exigida por Israel.

Mesmo antes do início do genocídio, 80% dos habitantes da Faixa de Gaza viviam exclusivamente de ajuda humanitária. Amjad Al-Shawa, coordenador da rede de ONG locais, sublinha que esta decisão coincide com a implementação da segunda fase do chamado “plano de paz de Trump”. “Isto resultará também no bloqueio, por parte de Israel, de dezenas de camiões de ajuda pertencentes a estas organizações, mesmo que a população de Gaza já esteja a enfrentar múltiplas crises” (Mondoweiss, 1 de Janeiro).

Para além da decisão deliberada de deixar a população perecer por falta de alimentos, água e assistência médica, Israel tem outro motivo para tomar esta decisão. “A razão pela qual estamos a ser sancionados é porque estamos a testemunhar a violência cometida pelo exército israelita”, denuncia Isabelle Defourny, presidente dos Médicos Sem Fronteiras França (France Inter, 3 de Janeiro). Cita um memorando oficial israelita que “explica que a MSF deve deixar de ser registada, porque documenta activamente a violência cometida pelo exército israelita”. Quinhentos trabalhadores humanitários — quinze dos quais pertenciam à MSF — foram mortos durante o genocídio, recorda.

Mas Netanyahu sabe que pode contar com a cumplicidade dos governos das grandes potências.

Deixem entrar a ajuda humanitária imediatamente e sem restrições!