A paz, o pão e a liberdade para o povo do Irão!

As manifestações começaram no dia 28 de Dezembro de 2025. Os comerciantes do bazar de Teerão, a braços com a vertiginosa queda do poder de compra e a hiper-inflação, entraram em greve.

Em 2025, a pior seca dos últimos sessenta anos ocasionou uma grave crise social nas cidades e no campo. Multiplicaram-se greves operárias pelo pão, no sector do petróleo, dos transportes, hospitalar… A agressão militar israelo-americana do verão de 2025 veio agravar ainda mais uma situação já explosiva.

As manifestações dos comerciantes alastraram rapidamente aos estudantes e massas populares de mais de cem cidades, exprimindo a rejeição das desigualdades e da tirania há quarenta e sete anos impostas pelo regime dos mulás* às mulheres, às minorias linguísticas e ao movimento operário, cujos militantes eram presos e executados.

O regime respondeu às manifestações com a cenoura e o pau. Concessões fiscais aos comerciantes, por um lado, repressão violenta dos manifestantes (centenas de mortes e milhares de detenções), por outro.

Os trabalhadores de todo o mundo estão incondicionalmente ao lado dos seus irmãos e irmãs do Irão e da sua legítima luta pelos direitos operários e democráticos e para se livrarem do regime opressor.

Não podem, assim, senão rejeitar a ingerência do imperialismo americano e do Estado genocida de Israel — e rejeitar as tentativas de restauração de Reza Pahlavi, o filho do Xá do Irão cujo regime sangrento as massas derrubaram em 1979.

Como declaram, com muita razão, as organizações operárias iranianas cujos documentos publicamos, “a libertação dos trabalhadores e das massas trabalhadoras não está nem num chefe autoproclamado acima do povo nem na dependência de potências estrangeiras, nem nas lutas intestinas do poder“.

Viva a luta dos trabalhadores, da juventude, das mulheres e do povo do Irão pela paz, pelo pão e pela liberdade! Abaixo o regime dos mulás! Abaixo a ingerência imperialista dos Estados Unidos e de Israel!

* O clero xiita, que confiscou a revolução operária e camponesa de 1979.

Sindicatos operários manifestam-se
Manifestações prosseguem
Organizações de trabalhadores tomam posição

Sindicato dos Professores da Província de Bushehr (Sul, no Golfo Pérsico):

Há mais de cento e vinte anos que o povo iraniano reivindica a liberdade e a justiça. Tem-se batido contra todas as formas de tirania e exploração. Da Revolução Constitucional (1) ao movimento pela nacionalização do petróleo, das lutas que redundaram na revolução de 1957 aos levantamentos de 2009, 2010 e 2011 e aos dias de hoje, o povo iraniano segue a mesma trajectória e persegue as mesmas reivindicações há mais de um século. De cada vez, a reacção, a tirania e o colonialismo — agindo concertadamente — esmagaram os defensores da liberdade e da justiça e perpetuaram a exploração.
O Sindicato dos Professores da Província de Bushehr analisa o recente levantamento, cuja palavra de ordem é a rejeição de toda a tirania e a reivindicação de liberdade e igualdade, expressa com particular veemência nas regiões oprimidas, como parte integrante da longa luta do povo iraniano. Condenando todas as formas de opressão, tirania e exploração, o sindicato manifesta a sua solidariedade e apoio ao povo iraniano.

O Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Autocarros de Teerão e Subúrbios reitera a sua posição de princípio de 2021:

Declaramos a nossa solidariedade com as lutas populares contra a pobreza, o desemprego, a discriminação e a opressão, mas opomo-nos categoricamente a qualquer regresso ao passado (2) marcado pela desigualdade, corrupção e injustiça. É nossa convicção que a verdadeira libertação só poderá ser obra da mobilização consciente e organizada da classe trabalhadora e dos oprimidos, sem passar pela reprodução de formas antigas e autoritárias de poder. (…)

Já o dissemos antes e repetimo-lo: o caminho para a libertação dos trabalhadores e das massas trabalhadoras não passa por um chefe autoproclamado acima do povo, nem na dependência de potências estrangeiras, nem em lutas intestinas dentro do Estado, mas antes na unidade, na solidariedade e na criação de organizações independentes no local de trabalho e a nível nacional. Não nos devemos deixar manipular outra vez pelos jogos de poder e pelos interesses das classes dominantes.
O sindicato condena firmemente qualquer propaganda, justificação ou apoio à intervenção militar de governos estrangeiros, particularmente os dos Estados Unidos e de Israel. Tais intervenções não só redundam na destruição da sociedade civil e em massacres, como fornecem um pretexto adicional para a repressão governamental. (…)
Viva a liberdade, a igualdade e a solidariedade de classe! A solução para os trabalhadores e trabalhadoras está na unidade e na organização.

(1) 1905: Revolução popular, que impõe uma Constituição. 1951: Nacionalização do petróleo pelo primeiro-ministro Mossadegh. 1957: Fim da lei marcial. 2009, 2010 e 2011: Movimentos de protesto contra o regime teocrático.

(2) Referências às forças monárquicas que tentam manipular os protestos.