Gronelândia: Na sombra de Trump, “a discreta correria dos multimilionários americanos” (Forbes)

Trump quer a Gronelândia, a bem ou a mal, porque, segundo ele, “se não formos nós, apoderam-se dela a Rússia ou a China.” E pouco lhe interessa que isso provoque uma crise com um país membro da NATO, o Reino da Dinamarca, do qual a Gronelândia é possessão colonial há trezentos anos.

À sombra de Trump, como nos lembra a revista capitalista Forbes (14 de Janeiro), dá-se uma “corrida silenciosa de multimilionários americanos aos minérios críticos” do gigantesco continente árctico. Corrida “que levou várias grandes fortunas a investir, directa ou indirectamente, em activos ligados à Gronelândia “, nomeadamente por intermédio da empresa gigante KoBold Metals *, entre cujos investidores se incluem os multimilionários americanos Bill Gates, Jeff Bezos, Michael Bloomberg…

Esta política imperialista é “o regresso das esferas de influência e a lógica da recolonização”, conforme refere Alexandre Negrus, do Instituto de Estudos de Geopolítica Aplicada, à France Info (16 de Janeiro). Comentando o envio de algumas dezenas de soldados franceses, alemães, belgas e de outras nacionalidades para a Gronelândia, em auxílio da Dinamarca, comenta o especialista que “o objectivo não é pôr o poder americano a tremer”. Trump não fez o mínimo caso da agitação de Macron, de Merz e da primeira-ministra dinamarquesa, puxando da ameaça de novas tarifas… Ele sabe que todos eles acabarão por ceder às suas exigências.

No dia 17 de Janeiro, em Nuuk – a capital – e em três outras localidades da Gronelândia, milhares de cidadãos fizeram manifestações com a sua bandeira vermelha e branca (mas sem bandeiras da Dinamarca, da NATO ou da União Europeia), dizendo a Trump, Gates e Bezos que “a Gronelândia não está à venda!”

Cabe aos trabalhadores de todo o mundo solidarizarem-se com o povo da Gronelândia, que rejeita as ameaças de Trump sem por isso reivindicar a continuidade da tutela colonial dinamarquesa. Com efeito, como perfeitamente resumiu uma das organizadoras da manifestação de Nuuk, “exigimos respeito pelo direito à autodeterminação do nosso país e do nosso povo” (Sermitsiaq, 16 de Janeiro).

* Esta empresa é também a principal beneficiária do “acordo de paz” que Trump acaba de impor à República Democrática do Congo.