RÚSSIA — ACÇÃO DE PROTESTO DOS PROFESSORES

No dia 12 de Janeiro, decorreu em toda a Rússia uma acção intitulada “A lição dos direitos laborais”, por iniciativa do sindicato independente Utchitel’ (“professor”), nas aulas de «conversas sobre o essencial». Professores de dezenas de regiões fizeram o trabalho que lhes competia: explicar aos alunos os fundamentos do direito do trabalho, o papel dos sindicatos e os meios para defender interesses.

Recorde-se que o Ministério da Educação introduzira estas aulas obrigatórias de «conversas sobre o essencial» a 1 de Setembro de 2022, após o início da “operação militar especial” [nome oficial, na Rússia, da guerra na Ucrânia – nota nossa]. O objectivo: «Reforçar os valores tradicionais e os sentimentos cívicos e patrióticos». Segundo o ministério, incluem-se entre estes os seguintes temas: «A felicidade de viver na Rússia»; «Russos: juntos somos uma força»; «Cada um pode ser um herói»; «A educação e a sua importância para a pessoa e para o país». Os professores, em suma, obrigados a serem propagandistas da guerra.

Falar da «importância da educação» é particularmente vergonhoso quando se sabe que um professor ganha 20 000 rublos (cerca de 215 euros), enquanto o salário mínimo em 2025 era de 22 440 rublos (cerca de 250 euros). A sua principal reivindicação é, exactamente, o aumento dos salários. A respectiva petição sindical, lançada a 7 de Janeiro, já recolheu mais de 3 mil assinaturas.

Apesar de inofensiva, a iniciativa de substituir o tema da «operação militar especial» pelo do direito do trabalho nas aulas «sobre o essencial» provocou o pânico da administração, com directivas preocupantes, apelando a «especial controlo» e a desconfiar de «possíveis provocações».

Apesar da intimidação, os professores fizeram o que tinham a fazer. Nas aulas de matemática, calcularam o cabaz da dona de casa, em literatura, estudaram obras sobre o trabalho, em história, a luta pela jornada de oito horas. A acção passou como aviso maciço, resposta de impacto a anos de promessas não cumpridas do ministério e do governo em matéria de salários .

O professor de história e ciências sociais Vyacheslav Pilnikov, coordenador do sindicato na região (krai) de Khabarovsk, foi alvo de perseguições. A 15 de janeiro, uma comissão de seis altos funcionários irá inspecionar-lhe a escola para «verificar o respeito pela organização da sua conduta numa actividade extracurricular».

Tais «inspecções» não passam de perseguição política.

Mas o dia 12 de Janeiro mostrou o essencial: os professores não têm medo. A organização operária InterFront ajudará os militantes sindicais na sua luta. Só a união dos sindicatos independentes na luta pelos direitos dos trabalhadores e a afirmação de reivindicações políticas combinada com reivindicações económicas poderão mudar a situação actual.

[notícia transmitida por correspondentes da organização InterFront]