Têm a palavra militantes iranianos
A armada de navios de guerra enviada por Trump para a costa iraniana, “maior do que a enviada para a Venezuela“, esclarece Trump, “está pronta para cumprir a sua missão rapidamente, com violência se necessário“. Quem seriam as primeiras vítimas de um ataque deste tipo? Os trabalhadores, os jovens e a população do Irão, exactamente quem sofre a brutal repressão pelo regime dos aiatolás dos protestos populares contra o elevado custo de vida.
Kaveh Nematipour, um militante operário iraniano, testemunhou no dia 23 de Janeiro: “Perderam-se milhares de vidas quando os manifestantes foram alvejados com fogo real. Os hospitais foram atacados e, há relatos fidedignos de os manifestantes feridos terem sido raptados das suas camas de hospital e assassinados a sangue frio (…). Bancos, lojas e esquadras de polícia foram incendiados, e o número de manifestantes detidos chega às dezenas de milhares, segundo a maioria das fontes. Devido a um apagão total da internet nos últimos dez dias, a extensão total do desastre permanece desconhecida, mas inúmeros indícios sugerem que ocorreu um massacre em grande escala.” No entanto, acrescenta este militante, “o regime iraniano nunca esteve tão fraco. O programa nuclear, destinado a dissuadir qualquer ataque militar estrangeiro, está praticamente paralisado, e as centenas de milhares de milhões de dólares nele investidos nas últimas duas ou três décadas parecem ter sido gastos para nada”.
O Conselho Coordenador dos Sindicatos de Professores Iranianos denuncia “uma nova vaga de detenções, intimações e pressões das forças de segurança contra professores e sindicalistas em várias regiões do país. Estas medidas fazem parte de uma política contínua de repressão organizada contra o direito de organização, a liberdade de expressão e os direitos sindicais dos professores e são sinal da intensificação das medidas de segurança contra a comunidade educativa.” O sindicato publica uma longa lista de militantes presos e assassinados, acrescentando que “o governo é directamente responsável por estes assassinatos”.
O Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Autocarros de Teerão e Subúrbios declarou que o regime dos mulás “demonstrou mais uma vez que não quer saber da vida do nosso povo e dos nossos filhos. Como é possível perpetrar um massacre como este e, depois, os corpos das vítimas serem exibidos em público, num tratamento tão brutal e desumano? Pode um governo assim reivindicar qualquer legitimidade aos olhos do povo?” Reafirmando “o princípio fundamental e inviolável de que a verdadeira libertação do povo iraniano só é possível pela acção colectiva e pela participação consciente, organizada e independente de toda a classe trabalhadora e das camadas oprimidas e não pela intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel ou de outros governos estrangeiros.“
É dever dos trabalhadores do mundo manifestar a sua solidariedade com os seus irmãos e irmãs de classe no Irão, exigindo o fim da repressão e rejeitando qualquer agressão militar americano-israelita.