Rússia: Crónica da Luta de Classes

No armazém da firma Wildberries* de Koledino (região de Moscovo), decorreu no passado dia 21 de Janeiro uma inspecção laboral. Dois dias antes, a gerência tinha suspendido as humilhantes revistas corporais impostas aos funcionários, que eram obrigados a despir-se quando entravam e saíam do trabalho, para os “impedir de roubarem“, e tinham o uso de telemóveis proibido, para evitar filmagens das condições de trabalho. Os membros do sindicato foram instruídos para permanecerem em silêncio durante a inspecção, sob ameaça de despedimento. Logo no dia seguinte, restauraram-se as revistas obrigatórias. Os representantes sindicais foram impedidos de entrar no local pelos seguranças, que lhes barraram a entrada fisicamente, em violação directa da lei dos sindicatos. O sindicato exige, entretanto, uma explicação oficial e está a preparar uma queixa à Inspecção do Trabalho de Moscovo, à Procuradoria de Podolsk e à Guarda Nacional sobre as acções ilegais da empresa de segurança privada e da própria empresa.

Na empresa rodoviária Smolensk Avtodor, em Smolensk (na fronteira com a Bielorrússia), os 250 funcionários trabalham em condições desumanas, obrigados a cumprir turnos de doze horas em instalações geladas. Não há aquecimento, água ou casas de banho… Nos telheiros e balneários, as temperaturas são negativas. Os trabalhadores não conseguem secar as suas roupas de protecção encharcadas. É o sindicato que tem que comprar a água potável que eles consomem… enquanto a administração vive noutro mundo: os salários dos executivos foram duplicados e complementados por generosos bónus. O conflito já tem mais de cinco anos. Apesar de várias tentativas de greve, os funcionários são obrigados a trabalhar em condições que os sindicalistas comparam às do cerco de Leninegrado.

Correspondência da organização InterFront

* A Wildberries é o principal retalhista online russo, presente na maioria dos países da antiga União Soviética. As suas condições de sobre-exploração são comparáveis ​​às da Amazon.