Mais um Passo Para a Anexação da Cisjordânia por Israel

A 8 de Fevereiro, o governo israelita anunciou medidas que aceleram o desenvolvimento dos colonatos israelitas na Cisjordânia. “Uma anexação institucional e jurídica em tudo menos no nome”, no resumo de France Info (10 de Fevereiro). “Estamos a acabar com a ideia da criação de um Estado terrorista árabe no coração do país”, resumiu, por seu lado, Bezalel Smotrich, o ministro que se auto-intitulou “fascista” em Fevereiro de 2023.

Há anos que Israel promove a expansão dos colonatos. Famílias de colonos que beneficiam de apoios estatais e estão fortemente armadas, aterrorizam os aldeões e incendeiam-lhes os campos e as casas sob a protecção do exército israelita. As medidas anunciadas a 8 de Fevereiro facilitam a aquisição de terras por israelitas, conferindo uma legitimação jurídica à anexação já em curso.

Na aldeia de Silat al-Dahr, dezenas de casas serão destruídas e as terras confiscadas, conforme relatava France Info (10 de Fevereiro). A aldeia, cercada por dois colonatos, terá que ceder o lugar a uma estrada militar exclusivamente reservada aos colonos: “Ficaremos literalmente sitiados, como se estivéssemos numa prisão. Fica tudo bloqueado”, diz um morador. “Mataram o futuro deste sítio. Israel tem-nos feito perder o nosso modo de vida, a nossa herança, a nossa cultura. Na Cisjordânia ocupada, estamos a ponto de perder tudo”, resume. “Uma catástrofe”, uma nova “Nakba” como a de 1948, que acabará na expulsão.

Alguns países “ocidentais” montaram uma encenação de “reconhecimento do Estado da Palestina” na ONU, em Setembro de 2025. E a maioria da “esquerda” saudou o “progresso” nesta farsa. A realidade, nos termos apurados por B’Tselem, a principal organização israelita de defesa dos direitos humanos na Cisjordânia, é que “entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão existe apenas um Estado, que é um Estado de apartheid”*.

A única alternativa ao apartheid é um Estado uno que reconheça a igualdade de direitos de todos os que vivem na terra da Palestina.

* Título do relatório da B’Tselem de Maio de 2025