Apesar da mobilização da grande armada americana para o Golfo Pérsico, não há meio de as negociações entre os Estados Unidos e o Irão chegarem a um acordo. A administração Trump exige que o Irão limite os seus programas nuclear e de mísseis balísticos e renuncie a apoiar o Hezbollah no Líbano e as milícias Houthi no Iémen.
Avoluma-se, assim, a ameaça de intervenção imperialista. Está prestes a chegar ao Golfo Pérsico o segundo porta-aviões militar americano, o Gerald Ford (recentemente usado contra a Venezuela). A 15 de Fevereiro, a cadeia norte-americana CBS disse isto: “Segundo as nossas fontes, Trump terá indicado a Netanyahu que apoiaria ataques israelitas contra o programa de mísseis balísticos do Irão.”
No dia anterior, Trump declarara que “seria óptimo” haver uma “mudança de regime” em Teerão. Não dá para ninguém acreditar que o que realmente chateie Trump seja a natureza do regime dos mulás e a sua sangrenta repressão contra os trabalhadores e o povo do Irão — Trump, o compincha de Netanyahu, do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e do ditador egípcio Al-Sisi?!
Se houver intervenção militar israelo-americana contra o Irão, ela será um ataque ao povo iraniano e aos povos do mundo, como muito bem declarou o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Autocarros de Teerão: “só será possível ao povo iraniano conseguir realmente a sua libertação se a conseguir pela sua acção colectiva e pela participação consciente e organizada da classe trabalhadora e dos oprimidos — não através da intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel.“