Minneapolis, 12 de Fevereiro – O dia em que a classe trabalhadora obrigou Trump a recuar

Este é um verdadeiro recuo imposto a Trump, o primeiro num ano. O anúncio da retirada de 3.000 agentes federais de imigração (ICE) do Minnesota, que vinham aterrorizando a população, foi conquistado após semanas de mobilização dos trabalhadores, do público em geral e dos jovens, com os sindicatos a desempenharem um papel decisivo. E agora?

Na sexta-feira, 12 de fevereiro, Tom Homan, diretor do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), anunciou a retirada de mais de 3.000 agentes do ICE do estado do Minnesota: “A missão foi cumprida e mais de 4.000 imigrantes indocumentados foram detidos”. Mas a verdadeira razão da retirada do ICE são os 100.000 trabalhadores e jovens de Minneapolis que saíram à rua no dia 23 de Janeiro para exigir a retirada das tropas do ICE. São as centenas de milhares de pessoas que, nos dias 30 e 31 de Janeiro — desta vez em todo o país —, protestaram contra Trump e o ICE. O governo americano sabia perfeitamente que esta mobilização em massa estava longe de ser espontânea. Durante vários meses, inúmeros sindicatos acolheram a parte imigrante da classe trabalhadora e organizaram resistência à intervenção do ICE. Com o apoio dos sindicatos, os residentes organizaram grupos de vigilância comunitária para alertar para a chegada das patrulhas do ICE e das redes de apoio às famílias imigrantes obrigadas a permanecer escondidas nas suas casas…

A aplicação das leis da imigração está a ser utilizada como uma ferramenta para intimidar todos os trabalhadores

Foram também os sindicatos, juntamente com outros, que convocaram a manifestação de 23 de Janeiro e enfrentaram a onda de repressão. Foi no seio destas organizações que surgiu a necessidade de preparar uma greve geral para obrigar o governo a recuar. Perante o poder da sua própria classe trabalhadora, pela primeira vez na sua presidência, Trump foi obrigado a recuar.

A luta contra o ICE é um assunto do movimento sindical; esta é uma questão dos trabalhadores”, escreveu Shonna Roberts, presidente da filial de Vancouver, Washington, do sindicato dos estivadores ILWU, no site Labor Notes* a 10 de Fevereiro. Ela explicou: “A aplicação das leis da imigração está a ser utilizada como uma ferramenta para intimidar todos os trabalhadores. Quando os trabalhadores são aterrorizados pelas detenções e deportações dos seus colegas, este medo é explorado para reduzir os salários e enfraquecer a sua capacidade de organização (…). A luta contra o ICE é precisamente onde o poder moral e estratégico dos sindicatos deve entrar em acção. A acção em Minneapolis, a 23 de Janeiro, onde centenas de empresas fecharam e milhares de trabalhadores se juntaram a uma mobilização popular massiva para exigir a retirada do ICE, demonstra o tipo de influência colectiva que os trabalhadores podem utilizar agora (…). Isto recorda-nos que ou as instituições da classe trabalhadora defendem a democracia na prática, ou o autoritarismo preencherá o vácuo.

Foi nesse momento que a classe trabalhadora obrigou Trump a recuar; ocorreram greves maciças entre professores em São Francisco, estudantes de doutoramento em Los Angeles e enfermeiros em Nova Iorque. Nos Estados Unidos, como em todo o lado, a classe trabalhadora ainda não disse a palavra final.

Nelly Mary

*Boletim político alimentado por correspondência de ativistas sindicais.