Segundo o Wall Street Journal (de 22 de Fevereiro), as forças militares enviadas por Trump para ameaçar o Irão representam o “mais poderoso destacamento aéreo das forças armadas dos EUA para um único teatro de operações potencial desde a invasão do Iraque em 2003“.
A comparação com 2003 arrepia: a agressão imperialista contra o Iraque mergulhou este país no caos durante anos. Ora bem: o Iraque tinha, em 2003, uma população de 26 milhões; o Irão tem hoje uma população quase quatro vezes maior.
Seja: mas Trump extasia-se com a sua “bela armada” que navega pelo Golfo Pérsico — não esquecendo a considerável força de ataque alojada na maior base militar dos EUA na região, em Al-Udeid, no Qatar. Em Israel, Netanyahu tremelica de expectativa à espera da luz verde de Trump.
Com as negociações entre americanos e iranianos atoladas há semanas, Trump elucubra como é que o Irão “ainda não capitulou? (…) Porque é que, debaixo desta pressão e com o poder marítimo e naval que lá colocámos, eles não vieram ter connosco para afirmar que já não querem a arma (nuclear), e pronto, estamos dispostos a fazer isto e aquilo?” (21 de Fevereiro).
É a concepção de relações internacionais de Trump: bons governos – sejam eles “democráticos” ou tiranias – são os que “capitulam” incondicionalmente às exigências de Washington. Quem não cede tudo, bem, a gente estrangula-os com bloqueios (Cuba), rapta-os (Venezuela) ou ameaça-os de os esmagar num dilúvio de ferro e fogo (Irão).
Quem paga, seja qual for o caso, são os povos. É, por isso, dever do movimento operário, à escala internacional, construir a mais ampla frente única possível para se opor incondicionalmente a qualquer ataque imperialista contra o Irão.