O Plano do “Conselho de Paz” de Trump

Em Gaza: hotéis de luxo, uma base militar… mas nem um palestiniano!

Washington, 19 de Fevereiro: Trump, acompanhado pelo seu genro, o magnata imobiliário Jared Kushner, convoca o seu “Conselho de Paz” e revela o seu plano para Gaza. Como o indica o mapa divulgado publicamente, o destino reservado à “nova Faixa de Gaza” é ser destino turístico de luxo. Hotéis à beira-mar, praias privadas, residências sofisticadas… a famosa “Riviera”, idealizada em Fevereiro de 2025. Mas que lugar para os dois milhões de palestinianos sobreviventes do genocídio que vivem nas ruínas de Gaza? Nenhum: desapareceram tanto do mapa como do plano de Trump! Talvez alguns confinados a “reservas indígenas” inspiradas nas destinadas às populações indígenas da América do Norte após o seu extermínio na conquista do Oeste?

O que, sim, está previsto é a construção de uma base militar americana. Segundo planos vistos pelo jornal britânico The Guardian (19 de Fevereiro), a base ficará “cercada por 26 torres de vigia blindadas móveis, com campo de tiro, bunkers e um depósito para equipamento militar operacional. Toda a base ficará cercada por arame farpado”. Este plano foi divulgado com a cumplicidade dos presentes, chefes de Estado (ou seus representantes) membros do “conselho”: para além de Israel, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Egipto, o Qatar, a Turquia, a Argentina, a Hungria, a Índia, o Paquistão, o Azerbaijão e vários outros, incluindo os chefes “comunistas” do Vietname!

E se dúvidas restassem quanto ao desejo de apagar o povo palestiniano do mapa, o embaixador dos EUA em Telavive, Mike Huckabee, declarou no dia seguinte que o Estado de Israel tem “direitos” sobre a terra situada “entre o Nilo e o Eufrates”. Ou seja, em consonância com o antigo projecto de “Grande Israel”, territórios pertencentes ao Egipto, à Jordânia, à Arábia Saudita, à Síria e ao Iraque… “Seria óptimo eles (os israelitas) tomarem tudo“, acrescentou o embaixador, um pastor protestante fanático nomeado por Trump em 2025. Trump não pretende ficar por aqui. Descrevendo o seu “Conselho da Paz” como “o mais prestigiado alguma vez reunido“, sugeriu que o dito conselho poderá rapidamente elevar-se “acima das Nações Unidas“. Nações Unidas, que, em Novembro de 2025, aprovaram servilmente o plano de Trump para Gaza. O imperialismo quer esmagar sob o seu tacão de ferro neocolonial todos os povos do Médio Oriente.

Como malograr tal estratégia? Uma pergunta a todos aqueles que defendem o direito dos povos à autodeterminação, inimigos do colonialismo.

Cisjordânia: “A limpeza étnica mais documentada da história” (Haaretz)

O pânico apoderou-se do Reino Hachemita da Jordânia. Este Estado, criado de raiz em 1946, historicamente ligado ao imperialismo americano e em longa cooperação em matéria de “segurança” com Israel, está à beira do colapso.

A causa? A decisão do governo de Netanyahu de legalizar a anexação em curso da Cisjordânia… e a potencial expulsão de alguns dos seus três milhões de habitantes palestinianos. Sobre este assunto, o Ministro das Finanças e dos Assentamentos do Estado de Israel, Bezalel Smotrich, declarou ser tempo de “incentivar a emigração dos palestinianos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza”.

Citando fontes oficiais jordanas, o canal qatariano Al Jazeera escreve: “Para a Jordânia, esta anexação burocrática assinala o fim do status quo (…). As autoridades políticas e militares jordanas já não duvidam da iminência de uma transferência forçada (da população palestiniana – nota do editor), não sabem é como evitá-la.A transferência já não é uma ameaça; está a passar a realidade’, referiu Mamdouh al-Abbadi, antigo vice-primeiro-ministro jordano, à Al Jazeera. (…) Em Amã, o receio não é tanto de uma invasão militar, mas sim de uma ‘transferência pacífica’, destinada a tornar a vida (para os palestinianos) na Cisjordânia impossível, a fim de provocar o seu êxodo gradual para a Jordânia.” Aqueles que apoiam a expulsão dos palestinianos da Palestina há muito afirmam que a sua “pátria alternativa” poderia ser a Jordânia, onde 60% da população já é constituída por refugiados palestinianos e seus descendentes. Nunca o plano de “transferir” palestinianos da Cisjordânia foi tão abertamente preparado pelas autoridades israelitas, merecendo a — justa — denúncia dum jornalista do jornal israelita Haaretz como “a mais documentada limpeza étnica da história”.

Israel: “Razões do Declínio

Revista da imprensa israelita

O Jerusalem Post (15 de Fevereiro) manifesta preocupação: “A Comissão do Knesset para a Imigração, Integração e Assuntos da Diáspora indicou que o número de imigrantes da antiga União Soviética em 2025 foi o mais baixo desde 2020. (…) Não são meras estatísticas, são sinais de alerta. (…) É imperativo examinar as razões deste declínio.” Ora, a explicação é simples: os judeus da antiga União Soviética preferem suportar as consequências da guerra na Ucrânia e do regime autoritário de Putin à emigração para Israel. A queda na imigração ocorre quando “mais de 69.000 israelitas deixaram Israel em 2025”, representando “uma migração líquida negativa pelo segundo ano consecutivo” (Times of Israel, 31 de Dezembro de 2025). A migração líquida negativa é um problema especialmente porque “o exército está a chegar ao limite com a mais longa guerra da história de Israel, que está a esgotar os seus recursos e a impor um pesado fardo aos reservistas”, alerta o Times of Israel (23 de Fevereiro). Além disso, escreve o jornal, “um estudo revela que, em 2050, quase um em cada quatro israelitas será ultra-ortodoxo”. Os ortodoxos (Haredim) são precisamente aqueles que, na sua grande maioria, se recusam a permitir que Netanyahu lhes imponha o serviço militar, do qual estão isentos. O confronto tem passado por enfrentamentos físicos com o exército e a polícia israelitas, recorda o jornal, citando os “horríveis tumultos” que eclodiram a 15 de Fevereiro nos subúrbios a norte de Telavive, quando “uma multidão de homens Haredi perseguiu duas soldados, que tiveram de ser resgatadas pela polícia, e virou um carro da polícia e uma mota, que depois incendiou”. “Israel está à beira de uma guerra civil“, declarou Mickey Gitzin, representante da ONG New Israel Fund, nas páginas do Haaretz (9 de Janeiro).