A agressão contra o Irão iniciada neste dia 28 de Fevereiro carrega nos ombros de Trump e Netanyahu a pesada responsabilidade de pôr a humanidade à beira de uma guerra generalizada de incalculáveis consequências.
Algum trabalhador ou jovem pode dar o mínimo crédito aos dois criminosos e à sua grotesca pretensão de intervirem «para devolver o poder ao povo iraniano»?
Rejeitar a agressão imperialista contra o Irão não quer dizer apoiar o sanguinário regime dos mulás. É bem legítima a revolta dos trabalhadores, das mulheres e da juventude do Irão que querem acabar com este regime. O sindicato dos trabalhadores da companhia de autocarros de Teerão declarou recentemente o que pensa todo o trabalhador consciente: «A verdadeira libertação do povo do Irão só é possível pela acção colectiva e a participação consciente e organizada da classe trabalhadora e das camadas oprimidas, não por uma intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel».
A agressão americano-israelita contra o Irão é o tacão de ferro dos interesses da classe capitalista dos Estados Unidos a abater-se sobre o Médio Oriente. Tal como o genocídio em Gaza e o «Conselho da Paz» de Trump, o plano americano de pilhagem da Ucrânia e as negociações com Putin, as ameaças de anexação da Gronelândia, a agressão à Venezuela, o bloqueio petrolífero de Cuba, os acordos de Washington sobre a República Democrática do Congo ou as ameaças contra a China, ela faz parte de uma e da mesma guerra imperialista, que nasce da putrefacção do sistema capitalista assente na propriedade privada dos meios de produção.
O Estado de Israel reduz-se à vista de todos ao que, no fundo, é: o braço armado do imperialismo americano. Uma semana antes da agressão, o embaixador americano em Tel Aviv afirmou que Israel «tinha direitos» em todos os territórios situados entre o Nilo e o Eufrates: o gato com o rabo de fora de um vasto plano neocolonial para pôr o Médio Oriente sob a administração directa de Trump, com o Estado genocida a fazer de guarda pretoriana.
O servil e ignóbil governo português, que permitiu que o exército americano usasse a seu bel-prazer a base das Lajes para lançar a guerra, é cúmplice directo da agressão. A mobilização da imprensa para despejar uma campanha vil e servil de justificação do injustificável mostra que o governo português entrou silenciosa, mas conscientemente, na guerra, sem a declarar nem dar cavaco ao povo.
A Plataforma por um Partido dos Trabalhadores (PPT) está incondicionalmente ao lado dos povos e dos trabalhadores do Irão contra a agressão americano-israelita.
Como dizem as organizações operárias do Irão, a libertação dos trabalhadores do Irão será obra dos próprios trabalhadores, não de uma intervenção imperialista estrangeira.
Ao movimento operário mundial cabe unir-se numa frente de condenação da agressão, para barrar a marcha para a guerra mundial para a qual Trump e Netanyahu querem arrastar a humanidade. A PPT está com as organizações operárias e negras e alianças anti-guerra nos Estados Unidos que condenaram a intervenção. A classe trabalhadora e a juventude americanas, que se têm mobilizado contra o genocídio em Gaza e contra o terror da ICE (a polícia federal da imigração), e que – socorrendo-se das suas organizações sindicais – acabam de infligir uma derrota a Trump em Minneapolis, saberão manifestar a rejeição da guerra pelo povo dos Estados Unidos. Abrem-se, também, as primeiras fissuras na cúpula da classe capitalista: o editorial do New York Times interpela o presidente: “Trump, porque começou esta guerra?”
A Plataforma por um Partido dos Trabalhadores, que luta contra a guerra e a exploração e pela Internacional Operária, apela à mais ampla unidade das organizações operárias e democráticas:
Fim à agressão imperialista americano-israelita contra o Irão!
Cabe ao povo do Irão, e só a ele, determinar o seu próprio futuro!
Não deixaremos Trump e Netanyahu arrastar
a humanidade para uma guerra generalizada!
Exército americano fora das Lajes, já!
Confiscação dos milhares de milhões dos orçamentos militares
para benefício dos trabalhadores!
28 de Fevereiro de 2026