Decorreu, no passado dia 5 de Março, na Alemanha, uma “greve à escola” contra o serviço militar. Dezenas de milhares de alunos responderam ao apelo dos comités de estudantes do ensino secundário, recusando-se a ir às aulas e manifestando-se contra o serviço militar que o governo Merz, de coligação entre a direita e os social-democratas, lhes quer impor.
Reportagem em Berlim
11 horas: a Potsdamer Platz, de onde está previsto partir a manifestação, enche-se rapidamente. Os jovens reúnem-se em pequenos grupos. Nas faixas e cartazes, lê-se: «Não ao serviço militar!», «Abaixo a guerra!», «Não devemos a vida ao Estado!», «Friedrich [Merz, o chanceler] para a linha da frente!».
Alunos do liceu Käthe-Kollwitz explicam assim a sua comparência: «Soubemos nas aulas de ciências sociais que ia ser instaurado o serviço militar, e isso não é bom.» Vinca outro aluno que «isso significa preparar-separa a guerra, e a Alemanha não quer guerra.» Um terceiro esclarece que «o serviço [militar] não é logo guerra. Guerra é quando se matam pessoas. Mas mesmo sendo só para treinar, é para lá que se caminha directamente.»
Uma aluna de outra escola opina que «não devia haver serviço militar, somos todos contra. É o caminho para a guerra, de várias maneiras: permite-lhes formar, nalguns casos mentes ainda influenciáveis, para a guerra. E deixa-os formar os futuros soldados.» O amigo acrescenta que, «pessoalmente, vim porque, como sou contra a guerra, sou contra todo e qualquer serviço militar. E acho que, estando a nossa geração preocupada com a guerra que aí vem, é a nós que compete combatê-la.»
Há pais que vieram dar apoio, alguns com cartazes: «Sr. Merz, Senhor Pistorius, [o ministro «socialista» da Defesa – NdR] deixem os nossos filhos em paz!». O testemunho de dois pais: «Sabemos que esta «greve escolar» foi proibida. Prestamos muito atenção à educação dos nossos filhos. Mas se nos recusamos a deixá-los serem recrutados para o exército é exactamente porque nos preocupamos com o futuro deles.» A mãe de uma aluna refere que «foi a minha filha que falou comigo desta greve e da vontade que ela tinha de participar. Eu e o pai dela decidimos aceitar que ela participasse.»
Milhares de participantes, estudantes do ensino secundário, estudantes universitários e pais reúnem-se à volta de um camião transformado em tribuna. Sucedem-se os oradores. Uma aluna do secundário é a primeira a tomar a palavra: «Estamos aqui com reivindicações claras. Recusamos o serviço militar. (…) Queremos que se financie o Estado social: escolas, universidades, a solidariedade, não a guerra! (…) E também não queremos pagar a guerra com o nosso sangue. (…) Temos uma ideia melhor, Sr. Merz: a ideia de um futuro a sério para nós, um futuro de fraternidade internacional. A guerra que há que travar hoje é a guerra da juventude pelo seu futuro.”
Ao meio-dia, a manifestação começa. Lançam-se e amplificam-se palavras de ordem como «Nie, nie, nie wieder Pflicht!» (serviço obrigatório, nunca mais, nunca mais, nunca mais!), «Keinen Mensch, keinen Cent der Bundeswehr!» (nem um homem, nem um centavo para o exército!), «Deutsche Waffen, deutsches Geld morden mit in aller Welt.» (armas alemãs, dinheiro alemão, cúmplices da matança pelo mundo fora), ou ainda «Hoch, hoch die internationale Solidarität!» (Viva, viva a solidariedade internacional!) Esteve presente uma delegação da FJR- IVª Internacional, que divulgou amplamente o apelo internacional dos jovens contra a guerra imperialista assinado por jovens da Alemanha, França, Islândia, Hungria, Itália, Marrocos, Egipto, Sudão, Líbano, Palestina, Estados Unidos e México.