O Partido Social-Democrata Alemão, o SPD, partido operário tradicional, está em queda livre.
O declínio começou em 2003, com as políticas do chanceler social-democrata Schröder. Schröder vanglorar-se-ia, em 2005, de ter “instaurado um dos melhores sectores de baixos salários da Europa“.
Há vinte anos que o SPD sofre desastre eleitoral atrás de desastre eleitoral. No dia 8 de Março, no estado de Baden-Württemberg, obteve 5,5% dos votos, o seu pior resultado numa eleição estadual. No dia 22 de Março, na Renânia-Palatinado, recolheu 10% dos votos, perdendo o governo estadual, que controlava há trinta e cinco anos. Em Munique, onde, desde 1945, o presidente da câmara foi quase sempre um militante do SPD (com uma excepção), o partido acaba de perder as eleições autárquicas. No dia 23 de Março, o Chanceler Merz (CDU, direita) dirigiu-se aos seus parceiros de governo sociais-democratas. Pediu aos dois co-presidentes do SPD, Bärbel Bas (ministra do trabalho) e Lars Klingbeil (vice-chanceler e ministro das finanças), que se associassem sem demora às contra-reformas. Merz conta com os chefes da social-democracia para desmantelar os seguros de saúde e de cuidados, as pensões de aposentação e todas as conquistas dos trabalhadores.
Que lhe respondeu a direcção do SPD? No dia 25 de Março, em “discurso programático” dirigido aos representantes do capital, Klingbeil declarou que era preciso aumentar o volume de trabalho prestado, “incentivando” a passagem à reforma mais tarde. Preconizou que se acabasse com o seguro de saúde gratuito para os cônjuges dos trabalhadores, exigindo a “eliminação de incentivos perversos nas prestações sociais“. Quanto às perdas salariais reais dos últimos anos, considerou-as “lamentáveis“.
A direcção do SPD está, pois, determinada a conseguir a aprovação a toque de caixa do orçamento de guerra que adoptou com a CDU-CSU (direita), que implica cortes maciços na saúde, na educação, na segurança social e no governo local. A subordinação à política de guerra está a destruir o partido.
Como se saiu nestas eleições o partido Die Linke (A Esquerda)? Conseguiu progressos moderados, mas sem lograr entrar nos parlamentos estaduais. A sua direcção recusa-se a levar a efeito uma política que sirva os interesses dos trabalhadores e dos jovens, contra a guerra e a exploração.
As políticas dos dirigentes do SPD e da Linke estão a abrir perigosamente caminho à extrema-direita. A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido que tem um segmento abertamente fascista, pode, assim, atrever-se a apresentar-se como o “novo partido dos trabalhadores“. E tem, de facto, ganho votos à custa do SPD num segmento do eleitorado da classe trabalhadora preocupado com a vaga de despedimentos e encerramentos de fábricas por causa da concorrência. Um voto de raiva, mais do que de apoio, mas que cria uma situação perigosa.
A luta por um verdadeiro partido dos trabalhadores está na ordem do dia, mais do que nunca. Tal tarefa se propõe o Comité para um Partido dos Trabalhadores. Os trabalhadores e a juventude, a cujas aspirações os dirigentes do SPD e de Die Linke viram costas, precisam do seu próprio partido. Um partido que se empenhe em defender exclusivamente os seus interesses.