Atolado na sua guerra suja, Trump disposto a tudo

Lajes: Portugal na guerra de Trump

Até onde chegará a guerra de Trump e Netanyahu no Médio Oriente?

Porque são falsas as alegações de Macron sobre o papel “defensivo” do exército francês e abjectas as justificações de Rangel/Montenegro para os EUA usarem a seu bel-prazer a base das Lajes para bombardear o Irão?

Contra a militarização e a guerra generalizada, romper a união sagrada com os governos fautores de guerra.

Denúncia imediata do tratado das Lajes! Tropas americanas fora dos Açores!

No final da semana passada, chegavam ao Golfo Pérsico milhares de pára-quedistas americanos da 82.ª Divisão Aerotransportada, a mesma que invadiu o Afeganistão em 2001 e o Iraque em 2003.

Hegseth anunciou que havia “negociações” a fazer progressos, mas, no mesmo fôlego, que “nenhuma opção está excluída. Se necessário, poderemos executar outras opções; temos de ser imprevisíveis.

Controlará o imperialismo americano os acontecimentos ao ponto de poder ser “imprevisível”? Pelo contrário: cada vez os controla menos.

Trump e Hegseth não previram que oito milhões de trabalhadores e jovens americanos se manifestassem no dia 28 de Março contra a sua miserável guerra.

A crer nos numerosos especialistas em estratégia que peroram pelos meios de comunicação, também não tinham previsto que capacidades militares o regime iraniano e os seus aliados, o Hezbollah libanês e os houthis iemenitas, realmente tinham.

O Estado-Maior americano anuncia “cerca de 303 militares americanos (…) feridos” e treze mortos… Números certamente subestimados. Apesar da decantada “abóbada de ferro”, o Estado de Israel tem sofrido inúmeros bombardeamentos iranianos, e as suas tropas terrestres sofrem perdas no Sul do Líbano.

Fora dos cálculos da administração norte-americana, também, a gravidade da crise provocada pelo bloqueio do estreito de Ormuz – por onde circulam 20 % do petróleo mundial; o pânico campeia nos “mercados financeiros”.

Sentindo-se a afundar-se, Trump tenta-se safar. Ora ameaça “aniquilar” a ilha iraniana de Kharg, no estreito de Ormuz (30 de Março), ora, no dia seguinte, se diz (ao Wall Street Journal) disposto a desistir de desbloquear o estreito.

Descarrega a sua sanha nos “aliados” franceses e britânicos por não se terem querido envolverno Irão. Sugere-lhes que vão eles próprios libertar o estreito ou comprem petróleo aos Estados Unidos, que “temos de sobra!” E acrescenta, insidioso, que “já não contem com os Estados Unidos para vos ir ajudar.

Acusa o governo francês de ter “proibido o sobrevoo do seu território por aviões carregados de material militar com destino a Israel (…)” ameaçando que “os Estados Unidos não esquecerão”. Indignado com a acusação de ter bloqueado armas para Israel, o governo Macron desmentiu de imediato*.

Por cá, Trump serve-se como quer da base das Lajes. O duplo capacho Montenegro-Rangel, depois de tentar viscosamente fazer crer ter sido consultado, vem, ante a evidência, dizer que o uso da base tem sido acorde com o tratado… que só prevê acções de defesa, necessárias e proporcionais e que não violem o direito internacional — quando nem o mais fantasioso jurista tenta argumentar que a agressão americana seja compatível com o direito internacional.

Venha o que vier, já há um balanço. Milhares de homens, mulheres e crianças massacrados. Mais de um milhão de habitantes expulsos do Sul do Líbano. No Irão, milhões de habitantes submetidos a bombardeamentos e destruições. Sobre os trabalhadores do mundo abate-se uma subida geral dos preços.

Tudo isto para quê? Para enriquecer cada vez mais os capitalistas especuladores de guerra (ver como exemplo o pequeno vídeo abaixo) e abrir a Trump o caminho para a China, próxima etapa anunciada da guerra imperialista.

* Em contrapartida, segundo a imprensa, os governos italiano e espanhol terão efectivamente negado aos aviões americanos a utilização das suas bases aéreas.

Feito a partir de elementos de um artigo de Jean Alain em La Tribune des travailleurs

FAMÍLIA TRUMP “AMEALHA” COM A GUERRA

(Vídeo do canal YouTube Associated Press / Newsgirls: https://www.youtube.com/shorts/naftTHlPLUY)

Transcrição para português:

A Power Us é uma das dezenas de empresas de drones que competem por contratos do Pentágono neste momento, com a diferença de que esta é parcialmente propriedade de Don Jr. e Eric Trump. A Associated Press noticia que a Power Us tem os cofres cheios e está a crescer exponencialmente à medida que vai adquirindo os seus concorrentes. A empresa espera conquistar parte dos 1,1 mil milhões de dólares reservados pelo Pentágono para construir uma base de produção de drones armados, uma vez que a administração Trump proibiu a importação de drones da China. A empresa fabrica drones principalmente para uso comercial, como pulverzação de fertilizantes e combate a incêndios florestais, mas está a crescer rapidamente para fornecer ao Departamento de Defesa drones armados, como os utilizados na guerra entre a Rússia e a Ucrânia e, mais recentemente, pelo Irão. A Taurus comprou mesmo três concorrentes nos últimos seis meses e planeia adquirir mais. A AP (Associated Press) refere que a empresa angariou 60 milhões de dólares de investidores para financiar esta onda de aquisições. Naturalmente, isto está a gerar críticas. Um especialista em ética governamental disse à AP que se trata de corrupção pura e simples, uma vez que os decisores do governo se sentirão obviamente pressionados a conceder contratos para enriquecer a família do presidente. Já assistimos a reações semelhantes quando a família Trump expandiu o seu império imobiliário para países estrangeiros, procurando obter favores do presidente, e por lucrar milhares de milhões com empreendimentos em criptomoedas que beneficiaram das políticas de Trump. A Power US afirma que não há problema em a empresa participar em concursos para contratos governamentais que possam enriquecer os filhos do presidente. Chegaram a dizer, “o que quer que estejam a fazer, é o que estão a fazer“. Mas tanto a Associated Press como o Newsgirls continuarão a noticiar os investimentos da família Trump, por isso siga-nos para ficar a par de tudo.